<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169</id><updated>2012-01-23T18:56:35.093-03:00</updated><title type='text'>Conversas e Vícios</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-848205112425694808</id><published>2010-11-19T12:02:00.000-03:00</published><updated>2010-11-19T12:02:45.503-03:00</updated><title type='text'>A quem possa interessar - GALPÃO 1006  e O BIGODE DO MEU TIO</title><content type='html'>Bom, este blogue já está desatualizado há muito tempo, como alguns podem ter percebido. Vim aqui para dar um aviso de que há outro blogue em meu nome, o &lt;a href="http://marlonvilhena.wordpress.com/"&gt;GALPÃO 1006&lt;/a&gt;, de teores bem semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que montar outro blogue semelhante? Porque penso que este aqui já deu o que tinha que dar há muito. E é sempre bom recomeçar coisas em outro lugar, com outra cara, com outros pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo aviso: também fui convidado a particpar de um blogue coletivo, com enfoque principal de literatura, &lt;a href="http://bigodedomeutio.blogspot.com/"&gt;O BIGODE DO MEU TIO&lt;/a&gt;. Este blogue já&amp;nbsp;possui leitores internacionais, alcançando a incrível marca de 1000 acessos em cerca de 40 dias de vida. E a fama se espalha continuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço mais uma vez a quem visita o Conversas e Vícios, mas fiquem à vontade para me visitar no &lt;a href="http://marlonvilhena.wordpress.com/"&gt;Galpão 1006&lt;/a&gt;, e também n'&lt;a href="http://bigodedomeutio.blogspot.com/"&gt;O Bigode Do Meu Tio&lt;/a&gt;, juntamente com meus outros companheiros de textos, o Fabio Castro, o Marcos Salvatore e o Renato Gimenes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Abraços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marlon Vilhena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-848205112425694808?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/848205112425694808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=848205112425694808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/848205112425694808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/848205112425694808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2010/11/quem-possa-interessar-galpao-1006-e-o.html' title='A quem possa interessar - GALPÃO 1006  e O BIGODE DO MEU TIO'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-1679770496979096687</id><published>2009-10-08T18:51:00.003-03:00</published><updated>2009-10-08T18:56:48.892-03:00</updated><title type='text'>O Conceito Zero</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um livro que impressionou muito, e no bom sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Conceito Zero, lançado em 2006, é o primeiro romance de um brasileiro aposentado da Receita Federal, A. J. Barros, e traz uma trama digna de um grande filme de ação, com várias reviravoltas e narrativas sem tomar fôlego entre os parágrafos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Marlon/AppData/Roaming/Windows%20Live%20Writer/PostSupportingFiles/fd39f1d8-789e-4488-8469-c3d5f66afed1/OConceitoZero4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Ss5fkO4jsXI/AAAAAAAAAHM/SE5HvQhYSqM/s1600-h/O+Conceito+Zero.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390350880084308338" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Ss5fkO4jsXI/AAAAAAAAAHM/SE5HvQhYSqM/s320/O+Conceito+Zero.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O tema: internacionalização da Amazônia legal brasileira, através de uma conspiração de homens poderosos e influentes, tanto externos quanto internos ao país. Tudo bem que certas situações são um tanto mirabolantes, como a existência de uma seita de monges templários em meio à floresta amazônica, porém a idéia geral é boa. Com dados reais sobre a situação da região Norte, Barros consegue empolgar o leitor por uma indagação simples e forte: será que estamos perdendo a Amazônia aos poucos por descaso dos órgãos brasileiros, através de invasões de milhares de organizações não-governamentais que pedem acesso à Amazônia com justificativas de dar assistência às comunidades locais e realizar pesquisas de âmbito ambiental?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta pergunta não é original — muitas pessoas já se questionaram a mesma coisa, com maior ou menor atenção à mensagem implícita nessas palavras. A. J. Barros, porém, decidiu arregaçar as mangas e escrever esta obra, através de muita pesquisa e com anos de experiência junto à Receita Federal, além de uma boa dose de paixão pelos recantos do Norte do Brasil. Acho que o esforço valeu muito a pena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estranho é que uma estória tão bem escrita, recheada de suspense, espionagem — a ABIN (Agência Brasileira de Informações), a CIA e o FBI estado-unidenses aparecem envolvidos no enredo — e até mesmo um pouco de romance, para criar uma certa relação mais íntima com alguns personagens, não tenha sido cogitada para ser cinematografada pelo novo cinema brasileiro, tão escasso de filmes do gênero. Em minha opinião, daria um grande faturamento em bilheterias de todo o país. Talvez seja o fato do nome de A. J. Barros ainda não ser muito conhecido, pois não foi muito fácil encontrar este livro à venda, o que poderia ser uma falha da editora na promoção da obra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um último detalhe, não menos interessante: as páginas são repletas de dados históricos e atuais a respeito de importantes pontos da região amazônica, como construções de fortes perdidos na floresta, fundações de cidades, estatísticas sociais, culturas locais — enfim, uma miscelânea para apreciadores deste tipo de literatura. Realmente é difícil parar de ler.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para conhecer:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;O Conceito Zero&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; A. J. Barros &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Geração Editorial&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Número de páginas:&lt;/strong&gt; 436&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-1679770496979096687?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/1679770496979096687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=1679770496979096687&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1679770496979096687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1679770496979096687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/10/o-conceito-zero.html' title='O Conceito Zero'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Ss5fkO4jsXI/AAAAAAAAAHM/SE5HvQhYSqM/s72-c/O+Conceito+Zero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-1452080970211257098</id><published>2009-08-16T21:12:00.001-03:00</published><updated>2009-08-16T21:19:19.563-03:00</updated><title type='text'>O Menino do Pijama Listrado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um livro de certa forma estranho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/SoihhY0nIUI/AAAAAAAAAHE/7aMKhv2Arxk/s1600-h/o_menino_do_pijama_listrado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370720150610190658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 178px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/SoihhY0nIUI/AAAAAAAAAHE/7aMKhv2Arxk/s320/o_menino_do_pijama_listrado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;John Boyne é um escritor irlandês contemporâneo que, segundo consta no livro, escreveu esta narrativa de 186 &lt;a href="file:///C:/Users/Marlon/AppData/Roaming/Windows%20Live%20Writer/PostSupportingFiles/f151e290-0619-40d1-8fc5-9a1dd0fd2a33/o_menino_do_pijama_listrado[4].jpg"&gt;&lt;/a&gt;páginas sobre um menino chamado Bruno, de nove anos de idade, em apenas dois dias e meio. Nunca havia ouvido falar nele até então, quando encontrei este volume à venda numa loja de conveniência em um posto de gasolina, durante minhas férias recentes. Um escritor de alguns livros, porém nenhum se comparando com este em questão de trama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O enredo é simples e batido: Segunda Guerra Mundial e os nazistas. A narrativa é até mesmo similar ao pensamento de uma criança desta idade, embora seja em terceira pessoa, quando se percebe que Bruno, filho mais novo de um comandante do exército alemão, não consegue pronunciar certas palavras que lê e ouve, como quando pronuncia "Fúria" ao invés de "Führer" para se referir a Hitler (trocadilho que, em português, é curioso).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A família mora em Berlim, porém o próprio "Fúria" indica o pai de Bruno para trabalhar em um famoso campo de concentração muito longe de sua cidade. Bruno não gosta da idéia, pois sempre morou na mesma casa grande, onde gostava de brincar de explorador, descer pelo corrimão da escada, entre outras coisas que todo menino de sua idade adora fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bruno é uma criança que, para muitos leitores, pode parecer bastante mimada, e podem ter razão em pensar assim: um garoto que não tem noção de nada do que se passa ao redor, a não ser satisfazer suas necessidades imediatas de boa vida, já que nunca passou por dificuldade alguma em seus nove anos de vida. Até que vai para uma nova casa muito distante de sua terra natal, devido ao trabalho que foi incubido ao pai realizar. É então que conhece o menino de pijama listrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Shmuel é um garoto polonês da mesma idade de Bruno, porém com uma vivência muito diferente de seu novo amiguinho alemão. O que mostra que o amadurecimento de Shmuel é extremamente precoce em relação ao outro. É como se diz por aí: o sofrimento sempre traz experiências, nem sempre boas, entretanto. Judeu feito prisioneiro dos nazistas, é terrivelmente magro e triste, contrastando com a aparência do pequeno alemão, que não consegue entender, ou ao menos suspeitar, o porquê dele ser daquele jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que comecei a pensar que o livro tinha algo de errado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A família de Bruno passa mais de um ano vivendo ao lado do campo de concentração, e durante todo esse período o menino observa cenas e comportamentos incomuns das pessoas ao seu redor, com as quais nunca esteve acostumado, e parece não conseguir se dar conta do que acontece, pois não demonstra amadurecer quase nada com uma situação tão estranha como aquela, onde pessoas são encarceradas, humilhadas e torturadas diariamente. Está certo, é apenas um rapazinho de nove anos, que sempre teve o carinho e atenção de seus pais, nunca se preocupando com nada além de suas brincadeiras. Porém acho insólito, mesmo para uma criança tão pequena, viver alienada de algo tão brutal que ocorre nos fundos de sua casa (ele consegue ver o campo de concentração da janela de seu quarto). Mesmo conversando muitas vezes com Shmuel, ele não se apercebe de coisa alguma, até mesmo prefere tentar ignorar certos fatos que aparecem debaixo de seu nariz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja apenas minha opinião isolada da de outros leitores, contudo não consigo concordar com a descrição de uma personagem que, mostrando-se tão esperta quanto Bruno é, se deixe enganar pelo que considero uma forma de comodismo crônico. Mesmo assim, fica aqui minha sugestão de leitura para quem gosta do tema. Sei que foi lançado um filme baseado nesta obra, mas não tenho certeza de que terei muito interesse em assisti-lo. Pelo menos por enquanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para conhecer:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; O Menino do Pijama Listrado&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; John Boyne&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Companhia das Letras&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Número de páginas:&lt;/strong&gt; 186&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-1452080970211257098?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/1452080970211257098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=1452080970211257098&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1452080970211257098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1452080970211257098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/08/o-menino-do-pijama-listrado.html' title='O Menino do Pijama Listrado'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/SoihhY0nIUI/AAAAAAAAAHE/7aMKhv2Arxk/s72-c/o_menino_do_pijama_listrado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-8179816557392851921</id><published>2009-07-17T18:59:00.001-03:00</published><updated>2009-07-17T18:59:35.542-03:00</updated><title type='text'>Contadores de histórias</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Hist&amp;#243;ria pra contar, emprestada de uma roda de amigos na casa de algu&amp;#233;m em Rio Claro, S&amp;#227;o Paulo, h&amp;#225; muitos anos (mem&amp;#243;rias...).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;O Montanha (um cara raqu&amp;#237;tico, cara de nerd, mas com uma l&amp;#225;bia incr&amp;#237;vel pra contar hist&amp;#243;rias) relembrando uma situa&amp;#231;&amp;#227;o desesperada:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- E da&amp;#237; o pessoal se arrumou e resolveu ir ao cinema assistir ao tal filme, mas o Jo&amp;#227;o [suponhamos que seja esse o nome, faz muito tempo mesmo] n&amp;#227;o tava muito afim, mesmo assim foi acompanhar os amigos. Compraram os ingressos, entraram na sala de exibi&amp;#231;&amp;#227;o, procuraram umas cadeiras com boa vis&amp;#227;o, etc. As luzes se apagam, o filme vai come&amp;#231;ar. Primeiros minutos na tela, de repente todo mundo se assusta:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- AAAAAAAAHHHHHHH!!!!!! AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! AAAAA-AAAAHHHHHHH!!!!!!&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Outras pessoas come&amp;#231;am a gritar, desesperadas, ningu&amp;#233;m sabe o que t&amp;#225; acontencendo, e aquele grito desumano continua muito, muito alto. Quem era? O Jo&amp;#227;o.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- O Jo&amp;#227;o? Mas por qu&amp;#234;? &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Foi o que todo mundo queria saber. Ligaram as luzes da sala, algumas pessoas estavam com muito medo, procurando saber de onde vinha o grito, e todo mundo v&amp;#234; o Jo&amp;#227;o, com as m&amp;#227;os na cabe&amp;#231;a, olhos fechados, gritando como se fosse morrer, os amigos dele levando o sujeito pra fora do cinema. E ele n&amp;#227;o parava de gritar daquele jeito. A galera come&amp;#231;a a perguntar, &amp;quot;Mas o que foi que houve?&amp;quot; &amp;quot;Jo&amp;#227;o, voc&amp;#234; t&amp;#225; passando mal?&amp;quot; &amp;quot;Fala com a gente, cara!&amp;quot; Meu Deus, o que &amp;#233; isso, Jo&amp;#227;o?!?&amp;quot;, etc, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- E da&amp;#237;?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Da&amp;#237; que a gritaria continuou at&amp;#233; eles estarem na rua de novo. De repente...&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Ah! Pronto. Passou, passou. - disse o Jo&amp;#227;o, ajeitando os cabelos e caminhando normalmente, como se estivesse passeando h&amp;#225; horas pela cal&amp;#231;ada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Todos na roda se olham, n&amp;#227;o acreditando no Montanha.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- E a&amp;#237;? E os amigos?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Todo mundo olhando com cara de babaca pra ele.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- Tudo porque ele n&amp;#227;o queria assistir ao filme?!?!?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;- &amp;#201;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Vai entender as pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-8179816557392851921?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/8179816557392851921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=8179816557392851921&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8179816557392851921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8179816557392851921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/07/contadores-de-historias.html' title='Contadores de histórias'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-5056091259702511671</id><published>2009-07-11T15:21:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T15:21:51.589-03:00</updated><title type='text'>C8H10N402 - CAFFEINE</title><content type='html'>&lt;p&gt;Banda de uns amigos. Tudo bem, tudo bem, eu j&amp;#225; fiz parte da banda, que na &amp;#233;poca ainda era singelamente (e n&amp;#227;o-oficialmente) batizada de Deads.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;C8H10N4O2 (ou Caffeine, para os &amp;#237;ntimos), Faith no More Cover de Campinas/SP:&lt;/p&gt;  &lt;div class="wlWriterSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:0bbaf1b9-3f61-4c55-b41c-6656abf35a68" style="padding-right: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-bottom: 0px; margin: 0px; padding-top: 0px"&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_KAssoPd6IA"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_KAssoPd6IA" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mais uma, para relaxar:&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;div class="wlWriterSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:79521527-09ac-4e3c-9c24-d52b9e20984d" style="padding-right: 0px; display: inline; padding-left: 0px; padding-bottom: 0px; margin: 0px; padding-top: 0px"&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Mg7cvjpHOCs"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Mg7cvjpHOCs" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porque rock tem que ser de verdade.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-5056091259702511671?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/5056091259702511671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=5056091259702511671&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5056091259702511671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5056091259702511671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/07/c8h10n402-caffeine.html' title='C8H10N402 - CAFFEINE'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-1226924473676553072</id><published>2009-07-11T13:29:00.001-03:00</published><updated>2009-07-11T13:29:12.186-03:00</updated><title type='text'>Nova Zelândia e o Direito da Sesta</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ela disse n&amp;#227;o &amp;#233; lindo?, mas ele j&amp;#225; estava fechando os olhos outra vez. Ela chegou perto do sof&amp;#225;, jogou uma almofada em sua cara e se virou de novo apontando para a tev&amp;#234;, com um sorriso, n&amp;#227;o &amp;#233; lindo? Ele olhou para a tela onde aparecia um comercial mostrando uma casa num campo aberto, com uma vista maravilhosa de montanhas e vales, um c&amp;#233;u l&amp;#237;mpido e t&amp;#227;o azul que chegava a doer na vista, ent&amp;#227;o ele resmungou que sim, era lindo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E onde voc&amp;#234; acha que deve ser isso?, ela quis saber. Pelo jeito, ele n&amp;#227;o ia poder terminar a sesta que estava pretendendo desde antes da hora do almo&amp;#231;o, e ent&amp;#227;o chutou, sei l&amp;#225;, talvez Nova Zel&amp;#226;ndia, dizem que na Nova Zel&amp;#226;ndia a natureza &amp;#233; maravilhosa, e virou o rosto para o lado, tentando lhe mostrar que desejava um pouco de sossego e de exercer o seu direito de roncar no sof&amp;#225; que ainda estava com algumas presta&amp;#231;&amp;#245;es por pagar na loja.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Nova Zel&amp;#226;ndia, Nova Zel&amp;#226;ndia, ela ficou repetindo, enquanto ele se virava novamente para encar&amp;#225;-la, agora um pouco mais acordado e preocupado. Conhecia aquele tom de voz. N&amp;#227;o, nem pense nisso, mulher, de jeito nenhum. Ah, mas temos um dinheiro guardado, acho que d&amp;#225; pra irmos, meu bem. Voc&amp;#234; est&amp;#225; louca? Onde acha que temos dinheiro, se n&amp;#227;o sobra nada no fim do m&amp;#234;s? E afinal de contas, como vamos prum pa&amp;#237;s se n&amp;#227;o sabemos falar o idioma daquele povo? O que eles falam l&amp;#225;? Ingl&amp;#234;s. Ent&amp;#227;o n&amp;#227;o deve ser t&amp;#227;o dif&amp;#237;cil, tem tanta gente que vai pros Estados Unidos e n&amp;#227;o sabe falar nem Ai l&amp;#243;vi i&amp;#250;. Voc&amp;#234; sabe quanto tempo demorar&amp;#237;amos pra chegar l&amp;#225;? &amp;#201; do outro lado do mundo, do outro lado! Fora que as coisas l&amp;#225; devem ser bem caras, e s&amp;#243; voc&amp;#234; para querer viajar sem fazer todos os planos de gastos, s&amp;#243; me faltava essa. E tem mais, nem sabemos se essas imagens s&amp;#227;o mesmo da Nova Zel&amp;#226;ndia, o que eu disse foi um chute.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;E o que eu tenho guardado durante todos esses meses? Ele se sentou na ponta do sof&amp;#225; e encarou-a com os olhos semi-cerrados, a boca quase n&amp;#227;o abrindo, voc&amp;#234; disse durante todos esses meses? Sim. E eu me matando pra pagar as contas dessa casa, enquanto voc&amp;#234; guarda um dinheiro e n&amp;#227;o me avisa! Sim, mas &amp;#233; que eu, mas ele j&amp;#225; n&amp;#227;o queria mais escutar, como voc&amp;#234; faz isso comigo, mulher? Bom, eu n&amp;#227;o pensei que voc&amp;#234; ficasse assim por causa de uma coisa t&amp;#227;o boba. Boba, voc&amp;#234; diz, deve ser uma coisa muito boba, mesmo, eu ficar me preocupando com o nosso lar enquanto voc&amp;#234; faz planos para ir a Nova Zel&amp;#226;ndia. Mas voc&amp;#234; mesmo acabou de dizer que, mas ele n&amp;#227;o quis escutar de novo, se quiser ir, pode ir, enquanto eu fico com todo o &amp;#244;nus, pode ir gastar o seu dinheiro enquanto eu me mato para pagar esse sof&amp;#225;. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Deitou-se e virou a cara definitivamente para o encosto do sof&amp;#225;, os bra&amp;#231;os cruzados no peito, dando por encerrada a conversa. Ela ficou ali de p&amp;#233;, olhou para a tev&amp;#234;, mas agora era outro comercial passando, algo sobre amaciante de roupa. Como ele pode comparar um sof&amp;#225; com a Nova Zel&amp;#226;ndia?, ela pensou. Como ela pode me privar da minha sesta, num sof&amp;#225; t&amp;#227;o bom como esse?, ele pensou antes de se afundar no sono.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-1226924473676553072?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/1226924473676553072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=1226924473676553072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1226924473676553072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1226924473676553072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/07/nova-zelandia-e-o-direito-da-sesta.html' title='Nova Zelândia e o Direito da Sesta'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-142376113029322485</id><published>2009-07-09T22:43:00.001-03:00</published><updated>2009-07-09T22:43:21.305-03:00</updated><title type='text'>É Talvez o Último Dia da Minha vida</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&amp;#201; talvez o &amp;#250;ltimo dia da minha vida. &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Saudei o sol, levantando a m&amp;#227;o direita, &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Mas n&amp;#227;o o saudei, dizendo-lhe adeus, &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img height="205" src="http://www.tribunamedicapress.pt/images/stories/sol3.jpg" width="299" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;&lt;strong&gt;(Alberto Caeiro)&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-142376113029322485?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/142376113029322485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=142376113029322485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/142376113029322485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/142376113029322485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/07/e-talvez-o-ultimo-dia-da-minha-vida.html' title='É Talvez o Último Dia da Minha vida'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-2353541511693028220</id><published>2009-07-03T19:29:00.001-03:00</published><updated>2009-07-03T19:29:24.799-03:00</updated><title type='text'>Quase-poema</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E tudo porque n&amp;#227;o sei o que - &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas &amp;#233; como se fosse algo muito -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Apesar de tudo, fico -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pois n&amp;#227;o tenho nada que -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao anoitecer as l&amp;#225;grimas s&amp;#227;o -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E nunca, nunca mais -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por falta de cuidado, penso que -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E na alegria derradeira, o c&amp;#233;u -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quando as palavras se v&amp;#227;o, resta -&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No ar, a estrada -&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-2353541511693028220?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/2353541511693028220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=2353541511693028220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/2353541511693028220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/2353541511693028220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2009/07/quase-poema.html' title='Quase-poema'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-8849894694762213777</id><published>2008-08-17T17:29:00.001-03:00</published><updated>2008-08-17T17:30:38.700-03:00</updated><title type='text'>Tudo é velho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tudo é velho como a poeira que se acumula nos cantos e sob meus pés. Nada como uma garrafa de conhaque para espantar maus espíritos e minha solidão: ao menos um copo cheio. Nada de putas e notícias de guerra pela televisão, nada de gritos, nada de corações duros, apenas um piano no fundo da mente, uma voz rasgada e suave e uma pitada de esperança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo é velho como é velho o modo de ver o mundo, como é velho o pensamento de lutas e desperdícios. Meu álcool é minha luz nesta noite de monstros rastejantes e gigantes de pedra a esmagar sonhos. Contra tudo possuo uma faca, menos que isso, um alfinete, tenho nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo é velho como este cigarro em meu bolso roto, este cigarro que vem com teu nome, minha querida. Tudo é velho como eu, e ainda há tanto pela frente. Ficar bêbado sobre a lua, como o outro velho Tom*, e ver no que dá. Mais um copo cheio, querida, sem gelo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Referência a Drunk on The Moon, de Tom Waits.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-8849894694762213777?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/8849894694762213777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=8849894694762213777&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8849894694762213777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8849894694762213777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2008/08/tudo-velho_17.html' title='Tudo é velho'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-1117762270321068250</id><published>2007-12-16T19:38:00.000-03:00</published><updated>2007-12-16T19:51:05.159-03:00</updated><title type='text'>O fogo e a memória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dia escreverei sobre o fogo e a memória. Uma teimosia da minha mente, que volta e meia me prega a mesma peça. O fogo eu não sei bem qual seria, nem a memória, mas no fundo isso não importa: palavras jogadas ao vento, como sempre. Os livros me olham curiosos dali do canto, encaixotados, empilhados, abertos, virgens, todos eles. Querem uma resposta do fogo e a da memória e eu não sei o que lhes dizer, porque não sei o que dizer a mim mesmo. Palavras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O mundo acontece, alguém já disse. Eu apenas continuo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dia pegarei Sêneca, o grego sobre a mesa, e talvez venha a descobrir com ele que a brevidade da vida é certa, e talvez lá eu encontre o fogo e a memória que me perseguem. A vida continua, nada acontece. Enquanto isso, nada de novo. De novo. Nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-1117762270321068250?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/1117762270321068250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=1117762270321068250&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1117762270321068250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1117762270321068250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/12/o-fogo-e-memria.html' title='O fogo e a memória'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-6575632043817514006</id><published>2007-09-24T21:06:00.001-03:00</published><updated>2007-09-24T21:07:06.342-03:00</updated><title type='text'>Orai por nós, mãe</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Salomé Gomes Sares (in memoriam). &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As palavras são poucas; o sentimento, incomensurável.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ergue tua fronte cálida, teus olhos mansos para o mundo. Abraça-me. Abraça-me enquanto te retenho neste instante, em todos estes segundos que me visitas com teus olhos de paz, a fronte piedosa. Posso te chamar de mãe e sei que me acolhes como a um filho, e fico grato. E estás longe, mãe, mas te sinto por aqui. Ainda te sinto me pondo para dormir, servindo leite com biscoitos, beijando-me a testa suada após as brincadeiras no quintal. E sempre o modo forte e terno com que aconselhas. E escrevo para ti somente agora, agora que sei que não mais te abraçarei, não mais te afagarei os cabelos, não verei o sorriso de menina na fronte da mulher de batalhas e glórias. Posso derramar lágrimas, mamãe, mas não as quero comigo. Quero tua paz, teu jeito simples de ensinar e perdoar, teu exemplo. Ergue-te para o mundo, ele agora é todo teu. Orai por nós, mãe. Abençoado sempre seja teu bom e humilde coração. Amém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-6575632043817514006?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/6575632043817514006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=6575632043817514006&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6575632043817514006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6575632043817514006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/09/orai-por-ns-me_24.html' title='Orai por nós, mãe'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-3024967973088439194</id><published>2007-09-15T05:50:00.000-03:00</published><updated>2007-09-15T05:56:07.839-03:00</updated><title type='text'>Soneto XCI</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Soneto de Pablo Neruda (&lt;em&gt;Cem Sonetos de Amor&lt;/em&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A idade nos cobre como a garoa,&lt;br /&gt;interminável e árido é o tempo,&lt;br /&gt;uma pluma de sal toca teu rosto,&lt;br /&gt;uma goteira corroeu minha roupa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo não distingue entre minhas mãos&lt;br /&gt;ou um vôo de laranjas nas tuas:&lt;br /&gt;fere com neve ou enxadão a vida:&lt;br /&gt;a vida tua que é a vida minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida minha que te dei se enche&lt;br /&gt;de anos, como o volume de um cacho.&lt;br /&gt;Regressarão as uvas à terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda lá embaixo o tempo segue sendo,&lt;br /&gt;esperando, chovendo sobre o pó,&lt;br /&gt;ávido de apagar até a ausência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-3024967973088439194?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/3024967973088439194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=3024967973088439194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3024967973088439194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3024967973088439194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/09/soneto-xci.html' title='Soneto XCI'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7340029533937190854</id><published>2007-09-13T19:08:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:52.956-03:00</updated><title type='text'>Livros: roubos, morte, história e vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RunMUf-I-8I/AAAAAAAAADg/q82xsAic1gA/s1600-h/A_menina_que_roubava_livros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109839904780123074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 179px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px" height="296" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RunMUf-I-8I/AAAAAAAAADg/q82xsAic1gA/s320/A_menina_que_roubava_livros.jpg" width="188" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;São os humanos que sobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sobreviventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que ficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero e da surpresa. Eles têm corações vazados. Têm pulmões esgotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que, por sua vez, me traz ao assunto de que lhe estou falando esta noite, ou esta manhã, ou seja lá quais forem a hora e a cor. É a história de um desses sobreviventes perpétuos - uma especialista em ser deixada para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uma menina&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Algumas palavras&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um acordeonista&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uns alemães fanáticos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um lutador judeu&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E uma porção de roubos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Vi três vezes a menina que roubava livros.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;(&lt;strong&gt;A Menina que Roubava Livros&lt;/strong&gt;, Markus Zusak)&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O que realmente me levou a comprar o livro foi o que estava escrito na contracapa, simples, direto e certeiro: "Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler". E eu parei, de vez em quando, entre o trabalho, o sono e algumas saídas noturnas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte, com certeza, já viu de tudo por aí, em todos os cantos. Mesmo assim, é capaz de se impressionar com certas coisas. E quando ela se torna narradora da história de de uma vida, tal vida pode se tornar épica, grandiosa, inigualável por ser cheia de todos os pequenos detalhes necessários para que fique gravada bem fundo em quem a lê. E só quem pode descrevê-la tão bem assim é quem a acompanhou até o último segundo, até a última expiração. Literalmente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Liesel Meminger é uma garota que viveu, desde pequena, de imensas perdas. Com todos os temores e desejos do final da infância e começo da adolescência, seria uma garota comum, não fosse o fato de ter sido abandonada pela mãe, pouco antes de perder o irmão pequeno, morto durante uma viagem de trem, para ser criada por um casal pobre em meio à Segunda Guerra Mundial em Molching, uma cidade perto de Munique, Alemanha. Acaba encontrando um lar acolhedor junto aos Hubermann: Hans, um pai amável e protetor; Rosa, uma mãe que amava com xingamentos e reprimendas. Conheceu Rudy, um menino que se tornou rapidamente o seu melhor amigo, e com quem disputava partidas de futebol no meio da rua e roubava frutas. Houve também Max Vandenburg, um jovem judeu que se escondeu no porão de sua casa e que acabou construindo uma forte amizade com a menina.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O roubo dos livros começa com o &lt;em&gt;Manual do Coveiro&lt;/em&gt;, que ela encontra em meio à neve durante o enterro do irmão caçula, numa tentativa desesperada de ter a memória do irmão sempre por perto. O que é uma ironia, visto que o livro remete ao trabalho da narradora. E falando em ironia, a própria Morte, ao longo das páginas, tenta minimizar o leitor da imagem sinistra que leva por todo lugar, procurando ser agradável, afável. "Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo".&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Depois, com a ajuda de Hans nas madrugadas, Liesel começa a conhecer o mundo que se esconde por trás das palavras, e cada vez mais se mostra ávida por conhecê-lo. Às vezes, para a garota, o que importa é somente o prazer de adquirir um novo livro, como se pudesse, com isso, sobreviver a tudo aquilo pelo que passou. E se for roubado, melhor ainda.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Markus Zusak, escritor australiano, nos presenteia com um livro que nos faz&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RunNMf-I--I/AAAAAAAAADw/H-n0VabgF9c/s1600-h/Markus_Zusak.jpg"&gt;&lt;/a&gt; pensar no que o ser humano é capaz, tanto para o bem quanto para o mal. Um livro que nos faz pensar no poder e na importância das palavras, quando tudo parece indicar caos e parcos momentos de alegria e esperanças. Um livro forte e sutil como a Morte, na condição de contadora de histórias. Um livro para ser admirado por todas as pessoas de todas as idades, pois contempla, entre tantos detalhes e rostos e cores e atos e lágrimas, a vida.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para conhecer:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;A Menina que Roubava Livros&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Autor&lt;/strong&gt;: Markus Zusak&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Intrínseca&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Número de páginas: &lt;/strong&gt;500&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7340029533937190854?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7340029533937190854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7340029533937190854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7340029533937190854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7340029533937190854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/09/so-os-humanos-que-sobram.html' title='Livros: roubos, morte, história e vida'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RunMUf-I-8I/AAAAAAAAADg/q82xsAic1gA/s72-c/A_menina_que_roubava_livros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7735645994108753165</id><published>2007-09-08T18:18:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:53.167-03:00</updated><title type='text'>Era Vulgaris - Queens of the Stone Age</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Colaboração de Danilo A. M.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A verdade é que a primeira década do século XXI foi bastante decepcionante&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RuMVtkqgjZI/AAAAAAAAADQ/CP_XbsedQSA/s1600-h/Era+Vulgaris.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107950275048541586" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RuMVtkqgjZI/AAAAAAAAADQ/CP_XbsedQSA/s400/Era+Vulgaris.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; quando se trata de música. Pouquíssima coisa interessante foi produzida e a mídia ainda procura desesperadamente pelo novo &lt;em&gt;Nevermind&lt;/em&gt;, aquele disco que sacuda as estruturas da música pop e que vire tudo de cabeça para baixo (de novo). Mas em meio à monótona cena atual, repleta de bandas EMO e bandas que tentam soar descoladas, ainda é possível ouvir uma pérola como o &lt;em&gt;Era Vulgaris&lt;/em&gt;, novo álbum do Queens of the Stone Age.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QOTSA apareceu para o grande público com o excelente &lt;em&gt;Songs for the deaf&lt;/em&gt; em 2002. Disco que misturava stoner rock com temperos alternativos e, por que não?, "grunges". Após uma queda de qualidade no disco mais pop &lt;em&gt;Lullabies to Paralize&lt;/em&gt;, de 2005, o grupo volta com um álbum tão ou mais forte do que o primeiro. Era Vulgaris traz todos os elementos do &lt;em&gt;Songs...&lt;/em&gt;, adicionando ainda mais psicodelia e experimentalismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O álbum abre com a única faixa mais fraca, &lt;em&gt;Turning up the Screw&lt;/em&gt;, e já dá lugar para uma empolgante sequência de 10 faixas onde pop, punk, metal, grunge e outros subgêneros do rock se misturam em perfeita harmonia. &lt;em&gt;Sick Sick Sick&lt;/em&gt; é a faixa que abre essa sequência, uma pura adrenalina com seu criativo riff que gruda na cabeça e sua bateria nervosa. Depois dela, passeamos por diferentes momentos: experimentalismo (em &lt;em&gt;I'm Designer&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Misfit Love&lt;/em&gt; - música que traz uma incrível introdução, onde as guitarras se valem de inúmeros efeitos num crescendo que explode com o começo da parte cantada), beleza (em &lt;em&gt;Into the Hollow&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Suture Up Your Future&lt;/em&gt;, e principalmente na grudenta &lt;em&gt;Make It Wit Chu&lt;/em&gt;), peso (na inquieta &lt;em&gt;Battery Acid,&lt;/em&gt; em &lt;em&gt;Run, Pig, Run co&lt;/em&gt;m estilo do Faith No More), um momento tipicamente alternativo em &lt;em&gt;3's &amp;amp; 7's&lt;/em&gt;, e até uma marchinha de carnaval melancólica aparece em &lt;em&gt;River in the Road&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era Vulgaris&lt;/em&gt; é um álbum para ser escutado do início ao fim, várias vezes, para se atentar aos seus inúmeros detalhes e ser apreciado cada vez mais. É&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; um item indispensável na discografia de quem procura por boas novidades e já estava achando que o rock não poderia mais surpreender.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7735645994108753165?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7735645994108753165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7735645994108753165&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7735645994108753165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7735645994108753165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/09/era-vulgaris-queens-of-stone-age.html' title='Era Vulgaris - Queens of the Stone Age'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RuMVtkqgjZI/AAAAAAAAADQ/CP_XbsedQSA/s72-c/Era+Vulgaris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-5662441680272671496</id><published>2007-09-08T06:41:00.000-03:00</published><updated>2007-09-08T11:16:55.182-03:00</updated><title type='text'>A esquecida arte de olhar as estrelas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Olhar as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas não têm mais tempo de olhar para as estrelas. Todas preocupadas com roupas, carros, drinques, olhares provocantes, economias, jogos, estradas, nenhuma se lembra de levantar os olhos para o firmamento à noite. As luzes artificais ofuscam a visão, ninguém as enxerga. As guerras e as crises tomam conta dos noticiários, ninguém se lembra delas. Até mesmo as crianças não se interessam mais pelo que está acima de suas cabeças, pois os pais não se preocupam com o que está acima de suas próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte de uma conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu acredito que na Idade Média as pessoas eram mais felizes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas como você pode dizer algo assim? Mais felizes, naquela época em que havia mais fome, mais doenças, mais guerras, e que era normal morrer com menos de quarenta anos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hoje não é diferente, talvez seja pior. Você pode morrer a qualquer momento por um atropelameto, por uma bala perdida, por vários meios. As guerras hoje em dia até matam mais do que antigamente. E o número de doenças aumentou absurdamente, assim como a gravidade delas. Só que naquele tempo você podia olhar para o céu à noite e admirar um pouco o mundo em que vivia. Naquele tempo você se sentava à mesa junto com sua família e contava histórias, aproveitava algumas horas com os seus. Naquele tempo você podia contar as estrelas, pois a vida era viver os detalhes dos dias e das noites. Você olha para o céu à noite?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não gasta a maior parte do seu tempo pensando em como pagar suas contas, quando pagar suas contas, quando poderá comprar sua casa, seu carro, fazer o curso que você tanto quer, enfim pensando apenas em como viver amanhã?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As pessoas parecem se esquecer das coisas simples da vida. Como olhar as estrelas no céu. Como fazer um jantar em volta da mesa com o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, repartindo a comida e os casos do dia. Parecem se esquecer de viver hoje. Pensando no amanhã, sim, porém vivendo hoje também. O mundo anda muito mais acelerado do que há quinhentos anos ou mais, mas ainda somos humanos, do mesmo jeito que éramos naquela época cheia de fome, guerras e doenças. Se as crianças não olham mais as estrelas, isso é um mau sinal. E isso é culpa nossa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, as estrelas. Simplesmente olhar as estrelas. Como faz falta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-5662441680272671496?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/5662441680272671496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=5662441680272671496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5662441680272671496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5662441680272671496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/09/esquecida-arte-de-olhar-as-estrelas.html' title='A esquecida arte de olhar as estrelas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-5627231527035360998</id><published>2007-08-30T18:59:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T19:26:25.617-03:00</updated><title type='text'>Carmela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Carmela colheu estrelas partidas no céu, colou pedaço por pedaço, reformou a noite. Entoou uma canção surda, dançou ciranda e se esbaldou de chocolate. Chamou a chuva, sentiu as gotas, correu com a brisa, sangrou os pés, dormiu de abraço com a terra. Caminhou mil léguas, caminhou mais mil, cheirou, tocou, amou. Carmela acena das gravuras, do sonho dos homens, de todas as esquinas, de cada desejo. Carmela convida, dá as costas e é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-5627231527035360998?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/5627231527035360998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=5627231527035360998&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5627231527035360998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5627231527035360998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/08/carmela.html' title='Carmela'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-8849058258631910613</id><published>2007-08-27T19:39:00.001-03:00</published><updated>2007-08-27T19:44:28.577-03:00</updated><title type='text'>Regras e exceções</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A amiga reclamando de algo sobre os homens, na volta do almoço. Viro-me para ela e explico que é o seguinte, garota, entenda uma coisa: os homens, via de regra, são todos canalhas. Claro que, como toda boa regra que se preze, há exceções. Assim como, em contrapartida, todas as mulheres são víboras. A amiga me olha desconfiada, não responde. Completo: logicamente, por ser também uma regra, há mulheres que são boas exceções do que acabo de falar. Ela sorri levemente para mim. Concluo rapidamente: mas isso não significa que você seja uma das exceções, querida. Ela me desfere um bom tapa no braço. Canalha, diz, entre uma risada e uma reprovação. Eu não falei? Não falei?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-8849058258631910613?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/8849058258631910613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=8849058258631910613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8849058258631910613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8849058258631910613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/08/regras-e-excees.html' title='Regras e exceções'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4816750247708152776</id><published>2007-07-22T03:57:00.000-03:00</published><updated>2007-07-22T04:08:09.086-03:00</updated><title type='text'>Dia desses</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dia desses a criança proferiu palavras sujas, e foi então que a infância acabou, uma porta se fechando com estrondo atrás de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses a mulher disse eu te amo e nunca mais conseguiu ser a mesma, pois as palavras fizeram-na refém de algo que não conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses o homem procurou uma saída e encontrou somente entradas, todas voltando ao início eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sem maçaneta na porta.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4816750247708152776?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4816750247708152776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4816750247708152776&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4816750247708152776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4816750247708152776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/07/dia-desses.html' title='Dia desses'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-3349687760079317148</id><published>2007-07-18T21:56:00.000-03:00</published><updated>2007-07-18T22:11:33.389-03:00</updated><title type='text'>Intervalo e heavy metal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sem tempo e cabeça nessas semanas para escrever algo que preste por aqui. Triste isso. Mas pelo menos fiquem com a letra de uma música que, para mim, nos últimos tempos, tem me deixado desesperado, de tão boa que é. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;He said he'd try just a little bit&lt;br /&gt;He didn't want to end up like them&lt;br /&gt;And now he blames the voices of a toothless wonder&lt;br /&gt;Pounding on the door to make the next score&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anything for a hit, any sin to pay for it&lt;br /&gt;For that next bowl, he'd sell his soul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spiral to destruction, it's too late to break the spell&lt;br /&gt;He wants the ride to stop on the freight train straight to hell&lt;br /&gt;Without the truth he'll never find in a dungeon of his lies&lt;br /&gt;His cause of death... high speed on burnt ice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Always looking at the ground, a broken, beaten man&lt;br /&gt;Memories of his family are calling after him&lt;br /&gt;He can hardly thing, hardly walk&lt;br /&gt;Phone keeps ringing, he can't talk&lt;br /&gt;With just one hit the pain would go away&lt;br /&gt;But he's dead if he does&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shadow people follow him everywhere he goes&lt;br /&gt;Looking over his shoulder, the paranoia grows &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Megadeth - &lt;em&gt;Burnt Ice&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Sugestão: escutar no volume máximo, acima de 100 decibéis, batendo muito a cabeça no volante do carro enquanto dirige por uma auto-estrada. Ah, sem esquecer de delirar junto com os todos os solos de guitarra da música, no ritmo da bateria monstruosa. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-3349687760079317148?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/3349687760079317148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=3349687760079317148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3349687760079317148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3349687760079317148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/07/intervalo-e-heavy-metal.html' title='Intervalo e heavy metal'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4551078101261215289</id><published>2007-06-26T18:27:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:53.380-03:00</updated><title type='text'>Os anticristos também amam</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Colaboração de Danilo A. M.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoGIsVJxweI/AAAAAAAAACI/-Dk7O1wpxxo/s1600-h/Eat+Me+Drink+Me_capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080492149824405986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoGIsVJxweI/AAAAAAAAACI/-Dk7O1wpxxo/s320/Eat+Me+Drink+Me_capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Desde que surgiu para o grande público em 1996 com o definitivo &lt;em&gt;Antichrist Superstar&lt;/em&gt;, Marilyn Manson foi um &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoGHf1JxwcI/AAAAAAAAAB4/lsRmsEag-NM/s1600-h/Eat+Me+Drink+Me_capa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;sujeito cercado de várias controvérsias. Marqueteiro ou performático? Gênio ou enganação? Criativo ou apenas aproveitador? Com o novo lançamento &lt;em&gt;Eat Me, Drink Me&lt;/em&gt;, Brian Warner (o verdadeiro nome do artista) deve ser alvo de mais controvérsias ainda. Afetado pelo fim do seu relacionamento com a stripper Dita Von Teese, Manson compôs seu álbum mais emocional e melódico. Se antes as letras enfiavam o dedo nas feridas da sociedade, agora elas são mais pessoais e, por que não, românticas. Se antes os furiosos riffs de guitarra se misturavam a pesados ritmos eletrônicos, agora tudo soa mais orgânico e rock'n'roll. Este é um álbum voltado para melodias simples de guitarra, para o velho modo "vocal, guitarra, baixo e bateria" de se fazer rock. Até a voz de Marilyn soa mais melódica do que em outros tempos, como se ele tivesse se tornado um "crooner dark".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Devemos lembrar que não é a primeira vez que a banda dá uma guinada assim. Logo depois do virulento &lt;em&gt;Antichrist Superstar&lt;/em&gt;, a banda lançou o leve &lt;em&gt;Mechanical Animals&lt;/em&gt;, onde os sintetizadores dominaram e a banda passou de anticristos para algo como travestis revoltados (!!!).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Eat Me...&lt;/em&gt; abre com a trágica &lt;em&gt;If I Was Your Vampire&lt;/em&gt;. É impossivel ouvir a música sem perceber uma certa agonia, como se a banda quisesse transmitir todo o sofrimento por que seu líder passou com o término de seu namoro. O primeiro single é &lt;em&gt;Heart-shapped Glasses&lt;/em&gt;, música totalmente desprovida de peso, mas que, ainda assim, possui todas as características de algo criado por Manson. Destaque para o polêmico clipe desta faixa, no qual dizem que Marilyn realmente estava fazendo sexo com sua nova namorada Rachel Evan-Wood, de apenas 19 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O álbum possui grandes candidatos a hits, como: &lt;em&gt;You And Me And The Devil Makes 3&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;The Red Carpet Grave&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;e principalmente &lt;em&gt;They Said That Hell's Not Hot&lt;/em&gt;, com seu ótimo riff e que explode em um excelente refrão. A faixa-título fecha o álbum em grande estilo, com seu clima sombrio e arrastado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Eat Me, Drink Me&lt;/em&gt; é mais um grande trabalho da banda, mostrando um novo lado seu, que pode afastar fãs mais radicais, entretanto merece ser ouvido com toda a atenção. Afinal, não é todo dia que ouvimos um anticristo sofrendo por amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4551078101261215289?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4551078101261215289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4551078101261215289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4551078101261215289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4551078101261215289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/os-anticristos-tambm-amam.html' title='Os anticristos também amam'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoGIsVJxweI/AAAAAAAAACI/-Dk7O1wpxxo/s72-c/Eat+Me+Drink+Me_capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-6021845411403521236</id><published>2007-06-25T15:02:00.001-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:53.649-03:00</updated><title type='text'>Dignidade se começa pelos pés - hein?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todo dia é dia de se surpreender. Ontem vi uma reportagem sobre um trabalhador rural no Paraná que teve sua audiência no tribunal (não lembro qual assunto seria tratado) cancelada e remarcada pelo juiz por um fato absurdamente insólito: o trabalhador, de parcos recursos, havia comparecido à audiência de chinelo de dedo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoAMhFJxwaI/AAAAAAAAABo/yS5GucaJcd4/s1600-h/justica_martelo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080074142132322722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoAMhFJxwaI/AAAAAAAAABo/yS5GucaJcd4/s400/justica_martelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Indagado sobre o motivo do cancelamento da audiência por um motivo tão incomum, o juiz (eu devia ter gravado o nome do sujeito, devia mesmo) respondeu que, diante da justiça, toda e qualquer pessoa deve se apresentar "dignamente", em trajes adequados para a ocasião. Ora, vejamos: a própria Justiça, com sua balança e seus olhos vendados, é sempre representada com os pés descalços, quando muito, usando um tipo antigo de sandália.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Suponho então que este mesmo juiz, provavelmente respeitador dos costumes que prega, deve manter a própria Justiça de fora da justiça quando aplica as sentenças que lhe são cabíveis no cumprimento do seu dever. Ou isso seria um exagero de minha parte?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O exagero, na verdade, está na estupidez em não&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoAMuFJxwbI/AAAAAAAAABw/dufg9PoTwQc/s1600-h/justica_dama.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080074365470622130" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoAMuFJxwbI/AAAAAAAAABw/dufg9PoTwQc/s400/justica_dama.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; saber, ou não querer distinguir as condições sociais e financeiras entre as pessoas. Outro magistrado foi abordado sobre a decisão do colega juiz, e foi taxativo: onde está a dignidade de uma pessoa? Nos pés? Num chinelo de dedo ou num sapato engraxado de couro legítimo? Na pobre residência daquele trabalhador rural não há uma sapateira onde guardar os poucos calçados da família, e estes poucos calçados são depositados dentro do forno de um fogão quebrado num canto da casa. A dignidade deste trabalhador se encontra encerrada no forno, é isso? É isso? Se eu for tão pobre que não possua condições de me vestir "adequadamente" perante a Justiça, a mesma Justiça que anda descalça e não distingue credos, raças, condições sociais ou vestimentas pelo fato de ser cega, então não mereço adentrar um tribunal? É isso mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quanto ao trabalhador, o que lhe resta é esperar mais alguns meses para ser ouvido, já que a decisão do juiz é irrevogável. E que trate de comprar ou de emprestar um par de sapatos decentes, por obséquio. Chinelo de dedo nem pensar. Se todo mundo começar a usar chinelos de dedo nos tribunais, o que será desse mundo? Onde estão os bons costumes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E o respeito pelo trabalhador, humilhado justamente por ser trabalhador? Ele que fez questão de usar a sua melhor calça e sua melhor camisa, ambas já meio gastas de alguns anos? Como ensinar justiça aos filhos desse modo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda bem que o juiz não o obrigou a usar gravata: o pobre homem sairia do tribunal direto para a cadeia, sem direito a habeas corpus ou telefonemas. Ufa, foi uma sorte danada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-6021845411403521236?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/6021845411403521236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=6021845411403521236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6021845411403521236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6021845411403521236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/dignidade-se-comea-pelos-ps-hein.html' title='Dignidade se começa pelos pés - hein?'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RoAMhFJxwaI/AAAAAAAAABo/yS5GucaJcd4/s72-c/justica_martelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-3002717397691338807</id><published>2007-06-19T21:26:00.000-03:00</published><updated>2007-06-19T21:27:06.415-03:00</updated><title type='text'>Mundo, amor e território</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Idéia de Danilo A. M. - demorou, mas saiu.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os passos acompanham Wonderful World nos fones de ouvido. Vira a esquina e encontra uma mãe, um bebê no colo e duas crianças procurando restos no lixo largado sobre a calçada. O cheiro fétido invade as narinas enquanto Mr. Cole se rasga de emoção ao pensar nas maravilhas do mundo. A mãe não levanta os olhos, o bebê tenta acostumar-se à maravilha enquanto chora, as crianças já não sabem que palavra é essa. Segue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Entram os Beatles com sua melodia simples, afirmando que tudo de que você necessita é amor, enquanto na esquina, debaixo do semáforo, há um engavetamento de carros, todos os motoristas saindo esbaforidos e tensos, discussões e dedos em riste, caras feias, quem teve a culpa?, um congestionamento se formando logo atrás, mais tensão, buzinas em tons diversos, alguém pedindo calma, outro querendo partir para a ignorância. All you need is love, love, love is all you need, é o que ecoa nos tímpanos ao atravessar a esquina, ao mesmo tempo em que a primeira mão é levantada e o primeiro tapa é desferido em cheio no primeiro rosto, e a confusão engrossa, e os curiosos batem palmas, assobiam, fazem torcida, como de praxe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Desliga os fones e adentra o bar. Risadas, álcool, maquiagens, gestos. Recinto em meia luz. Pega de um copo e serve-se de uma garrafa no balcão. Ao lado, mesas ocupadas, jovens fingindo algo que não são. Sepultura ecoa das caixas de som, gritando por território. Observa um sujeito cercando uma garota de sombras exageradas nos olhos, penduricalhos excessivos pelo corpo. War for territory, war for territory, bateria segurando a fúria da guitarra. Acha graça, bebe mais um gole. Esquece de si e se perde no meio da febre. Alguém se aproxima e pede fogo, uma menina tão nova. Ela não sorri, nem está ali, é o cigarro que a sustenta entre os dedos. Acende sua brasa, então ela parece acordar de algum lugar distante, mostra os dentes num esgar dos lábios e volta para uma dança que é um chacoalhar de ossos no meio da noite, no meio das almas perdidas que se reconhecem. Vertigem da guerra da vida; o território é demarcado em cada par de olhos bêbados presente. A grande piada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-3002717397691338807?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/3002717397691338807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=3002717397691338807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3002717397691338807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3002717397691338807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/mundo-amor-e-territrio.html' title='Mundo, amor e território'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4082183319039375454</id><published>2007-06-16T18:30:00.000-03:00</published><updated>2007-06-16T19:00:07.593-03:00</updated><title type='text'>Divagações e blusas brancas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As coisas não são apenas coisas, assim como eu não sou somente eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(Espera um pouco: isso está certo? Vamos começar de novo.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As coisas não são apenas coisas, pois nada é realmente o que parece ser. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(Hum, ainda não está bom.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As coisas não são apenas coisas. Se assim fosse, o mundo estagnaria, a vida não daria voltas, os pássaros não saberiam voar, a minha vizinha não surgiria cada vez mais bonita e sensual naquela blusa branca, debruçada em sua janela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(Não, nada disso, nada disso. Espera um pouco, vejamos. Ah, sim.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As coisas não são apenas coisas. O espelho da vida reflete as máculas do mundo, e é nessas máculas que mudamos, que tentamos, que amamos e odiamos. As coisas não são nunca o que parecem ser pois, se assim fosse, o planeta estagnaria, a vida não daria voltas, eu não estaria aqui buscando entender a mim mesmo em meio às minhas tralhas, minha vizinha não estaria cada vez mais gostosa naquela blusa branca, a evolução não teria lugar no universo, e eu não estaria pensando em parar de fumar pela milésima ducentésima octagésima terceira vez. As coisas não são apenas coisas, como este chiclete em minha boca é mais do que um chiclete. Tudo é de uma obviedade espantosa, e talvez seja pelo espanto que nossa consciência prefere esquecer. A lição não aprendida e herdada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(Definitivamente, é melhor esquecer. Minha vizinha debruçada na janela me traz mais compreensão do que todos os livros do mundo. E se um escritor não compreende a si próprio, é melhor se concentrar em blusas brancas.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4082183319039375454?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4082183319039375454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4082183319039375454&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4082183319039375454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4082183319039375454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/divagaes-e-blusas-brancas.html' title='Divagações e blusas brancas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4320757996216648126</id><published>2007-06-13T18:55:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:53.839-03:00</updated><title type='text'>Olhar sobre Nenhum Olhar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RnDGr1JxwZI/AAAAAAAAABg/b1mjhdDtTF8/s1600-h/peixoto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075775236351312274" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RnDGr1JxwZI/AAAAAAAAABg/b1mjhdDtTF8/s400/peixoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um pastor de ovelhas. Um gigante. Uma voz presa dentro de um baú. Irmãos gêmeos siameses ligados pelo dedo mindinho. O demônio que bebe vinho junto aos homens numa venda e está sempre a sorrir, e ao mesmo tempo celebra casamentos. Uma prostituta cega de nascença. Um homem sem o olho direito, a perna direita e o braço direito. Tudo isso vindo da cabeça de um escritor com piercing na sobrancelha e que até já fez projeto musical/literário (&lt;em&gt;Antídoto&lt;/em&gt;) com uma banda de heavy metal, a Moonspell.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O livro: &lt;em&gt;Nenhum Olhar, &lt;/em&gt;publicado em 2000. O autor: José Luís Peixoto, da nova safra de escritores portugueses. Sim, no Brasil ainda é um nome desconhecido, mas imagine você que este sujeito, atualmente com pouco mais de trinta anos, ganhou o Prêmio Saramago de 2001, um incentivo a jovens escritores de língua portuguesa, pelas mãos do próprio José Saramago, o laureado do Nobel de Literatura de 1998, devido a este livro de que falo. E isso quando ele tinha apenas vinte e seis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em princípio, o enredo parece se confundir logo nas primeiras páginas, como se estivéssemos no meio de uma roda de conversa onde ninguém se entende e todos querem falar no mesmo instante. Depois, tem-se a impressão de que a estória entra nos eixos e segue constante pelos trilhos da imaginação poética, fantástica e bastante real de Peixoto. Não há um narrador, ao contrário: quase todos os personagens têm o direito de mostrar o que vêem, o que sentem, o que pensam. Há também o narrador em terceira pessoa, porém fica meio encoberto pelos tantos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A obra é uma sucessão de cotidianos simples, pessoas simples, mas repleta de sentimentos e pensamentos profundos, com grande carga de poesia. Como se todo o básico e o rústico do ser humano se condensasse numa pequena região do Alentejo, onde José Luís Peixoto nasceu. Como se todas as pequenas felicidades e todas as imensas tristezas do mundo pudessem ser resumidas na paisagem campestre, na venda do judas, na casa do doutor mateus, entre as ovelhas de José, no olhar sem expressão da mulher de José, na serraria do mestre Rafael, no quarto sem janelas da prostituta cega, nas esculturas culinárias da cozinheira, na lealdade da cadela que acompanha o pastor, nas tentações do demônio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Só para se ter uma idéia do que estou falando, aqui vão os primeiros parágrafos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. Um açude sem peixes, sem fundo, este céu. Nuvens, veios ténues. E o ar a arder por dentro, chamas quentes e abafadas na pele, invisíveis. Suspenso, como um homem cansado, ar.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há-de ser um instante em que não se veja um pardal, em que não se ouça senão o silêncio que fazem todas as coisas a observar-nos. Chegará. Hei-de distingui-lo no horizonte. Tão bem quanto sei isto agora, sabia-o ontem quando entrei na venda do judas e pedi o primeiro copo e pedi o segundo e pedi o terceiro. Mais, sabia que por toda a planície se calarão as cigarras e os grilos. De encontro ao céu, as oliveiras e os sobreiros hão-de parar os ramos mais finos; num momento, hão-de tornar-se pedra.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Para conhecer:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Nenhum Olhar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; José Luís Peixoto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Agir&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Número de páginas:&lt;/strong&gt; 192&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4320757996216648126?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4320757996216648126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4320757996216648126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4320757996216648126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4320757996216648126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/olhar-sobre-nenhum-olhar.html' title='Olhar sobre Nenhum Olhar'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RnDGr1JxwZI/AAAAAAAAABg/b1mjhdDtTF8/s72-c/peixoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4146365356896705478</id><published>2007-06-06T19:13:00.000-03:00</published><updated>2007-06-06T19:34:28.419-03:00</updated><title type='text'>Mundo de pulgas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por enquanto nada de novo no mundo das pulgas: elas pulam, pulam, confabulam, buscam conquistar espaço em meio a pêlos e sangue, mas a vida é cruel. Não, não é cruel, é justa dentro da medida do possível para cada um. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu reclamo, tu reclamas, ele reclama, ela tem um ataque histérico, nós entramos em pânico, vós iniciais uma guerra civil, eles caem na porrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E assim segue o mundo, o mundo de todos os mundos, nós aqui a coçar, a meditar e a criar neuroses em todas as nossas esferas. Porque tudo converge para o tédio, e é preciso um escape. Nem que seja em meio a pêlos e sangue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Coça mais embaixo, faz favor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4146365356896705478?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4146365356896705478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4146365356896705478&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4146365356896705478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4146365356896705478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/06/mundo-de-pulgas.html' title='Mundo de pulgas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-3426729684682932414</id><published>2007-05-22T19:07:00.000-03:00</published><updated>2007-05-22T19:22:40.310-03:00</updated><title type='text'>Álvaro de Campos (Overdose de)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O BINÔMIO DE NEWTON&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.&lt;br /&gt;O que há é pouca gente para dar por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó&lt;br /&gt;(O vento lá fora.)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as cartas de amor são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;Não seriam cartas de amor se não fossem&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também escrevi em meu tempo cartas de amor,&lt;br /&gt;Como as outras,&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cartas de amor, se há amor,&lt;br /&gt;Têm de ser&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal,&lt;br /&gt;Só as criaturas que nunca escreveram&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera no tempo em que escrevia&lt;br /&gt;Sem dar por isso&lt;br /&gt;Cartas de amor&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que hoje&lt;br /&gt;As minhas memórias&lt;br /&gt;Dessas cartas de amor&lt;br /&gt;É que são&lt;br /&gt;Ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Todas as palavras esdrúxulas,&lt;br /&gt;Como os sentimentos esdrúxulos,&lt;br /&gt;São naturalmente&lt;br /&gt;Ridículas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;NA CASA DEFRONTE&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,&lt;br /&gt;Que felicidade há sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.&lt;br /&gt;São felizes, porque não sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças, que brincam às sacadas altas,&lt;br /&gt;Vivem entre vasos de flores,&lt;br /&gt;Sem dúvida, eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes, que sobem do interior do doméstico,&lt;br /&gt;Cantam sempre, sem dúvida.&lt;br /&gt;Sim, devem cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.&lt;br /&gt;Assim tem que ser onde tudo se ajusta —&lt;br /&gt;O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que grande felicidade não ser eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os outros não sentirão assim também?&lt;br /&gt;Quais outros? Não há outros.&lt;br /&gt;O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,&lt;br /&gt;Ou, quando se abre,&lt;br /&gt;É para as crianças brincarem na varanda de grades,&lt;br /&gt;Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.&lt;br /&gt;Os outros nunca sentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sente somos nós,&lt;br /&gt;Sim, todos nós,&lt;br /&gt;Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada! Não sei...&lt;br /&gt;Um nada que dói...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-3426729684682932414?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/3426729684682932414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=3426729684682932414&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3426729684682932414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3426729684682932414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/05/lvaro-de-campos-overdose-de.html' title='Álvaro de Campos (Overdose de)'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-71378973028216031</id><published>2007-05-08T17:05:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T18:11:50.200-03:00</updated><title type='text'>Sacanagens, macarrão, uísque 18 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lembra o dia em que nos conhecemos? Um pobre maltrapilho, estudante fedorento de faculdade, uma ameba no meio de toda aquela confusão daqueles tempos daquelas festas sem sentido e cheias de energia, sacanagem e algum parco romantismo. E você com uma das suas saias rodadas de hippie bem comportada, querendo parecer diferente do resto, mas que não passava de uma cópia de cópias bem comportadas. Sim, é verdade, todos éramos bobos e fingíamos ser diferentes até de nós mesmos. Houve algo entre nós dois, mas claro, claro, isso é passado, não precisamos voltar ao ardor de final de adolescência, aos abraços rápidos e desesperados, aos beijos excitantes sem se importar com a vista dos outros, às mãos apalpando o... claro, claro, é passado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sem grana, mas nos virando como podíamos. Rateando os trocados de todo mundo para um almoço com muito macarrão a alho e óleo, algum refrigerante e muita cerveja barata acompanhada de cachaça de terceira mão. Porque queríamos ser alguém, ainda que de um modo estúpido e inconseqüente. A inconseqüência é boa, no fim das contas. Ao menos ela serviu para conhecer outros estúpidos, e depois podíamos filtrar o que havia de bom naquilo tudo. Algumas poucas amizades são mantidas, a maioria se esfumaça com os anos, e ninguém disse que a vida seria o oposto disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hoje aqui estou eu, infeliz, cansado e bem sucedido com minha empresa e meus funcionários. Os ideais morreram todos, ficou a necessidade de pôr a ambição em prática. Eis você, bem sucedida, olheiras sob a maquiagem (bastante normal, não se preocupe com isso) e minha concorrente. Continua linda como sempre, mas isso não lhe dá o direito de me passar a perna nos negócios, não senhora. Ou senhorita? Engraçado o futuro: nos tansformamos naquela corja em que mais depositávamos as nossas raivas, vergonhas e frustrações. Aceita uma dose de uísque? 18 anos, só para ocasiões especiais. Sim, o futuro. Tão mais fácil de se lidar com ele quando era mais distante. Com ou sem gelo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-71378973028216031?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/71378973028216031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=71378973028216031&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/71378973028216031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/71378973028216031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/05/sacanagens-macarro-usque-18-anos.html' title='Sacanagens, macarrão, uísque 18 anos'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4274694186016471645</id><published>2007-04-30T22:37:00.000-03:00</published><updated>2007-04-30T23:49:26.769-03:00</updated><title type='text'>Av. Cônego Domingos Maltez, 1108</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda hoje recordo bem o endereço: 1108, Av. Cônego Domingos Maltez, bairro do Trem, Macapá, meio do mundo. Lá encontrei uma moeda de 1 cent dos EUA, e ainda não consigo imaginar como aquilo foi parar ali, no quintal de casa. Pequenina moeda, toda recoberta de musgo, e que para mim era uma preciosidade. Senti-me um verdadeiro sortudo naquela manhã. E não tinha mais do que 10 anos nas costas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Naquela casa, levantada por meus pais com esforço e dedicação, passávamos incontáveis tardes de sábado nos embalando de um lado para outro na rede armada no pátio, bebendo suco e contemplando o pouco movimento na rua. Vez em quando uma corrida à casa do vizinho para uma disputa de basquete sob a maior mangueira do mundo, e que ficava em seu quintal. A cesta não era uma cesta, mas um tambor velho e enferrujado e que servia bem a propósito. Ou então uma correria noturna de esconde-esconde (pique-esconde para os íntimos), e nós éramos bastante criativos. Eu, uma vez, para não ser encontrado de forma alguma, corri até a casa do Gustavo, passei direto para o quintal, pulei a cerca de madeira para a casa da velha Dona Henriqueta, onde havia bananeiras e caramboleiras e ameixeiras, meti-me por debaixo do soalho levantado em baixas palafitas, no meio da lama e da poeira, esperando a melhor chance de correr até a castanheira que ficava em frente à nossa casa. A castanheira era sempre o local onde o escolhido contava uma certa quantia até sair à procura de todos, a perdição e salvação dos moleques afoitos que se escondiam onde e como podiam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Da janela do meu quarto mirava a rua, e dali eu podia observar quietamente as estrelas à noite, ficar imaginando como alguns malucos conseguiam ver dragões e ursos e centauros em meio àqueles mínimos faróis incandescentes lá em cima. Ali, naquela janela, decidi que um dia teria um telescópio. Ainda não concretizei o desejo dessa criança, mas o sonho ainda está por aqui, guardado em algum canto antigo e aconchegante. Meu quarto era meu refúgio, meu lugar de paz, de introspecção sadia. Era onde fazia várias sessões particulares de leituras de gibis, alguns mesmo repetidos, com dois sanduíches e um copo de leite ao lado. As sessões eram longas, por vezes durando toda uma tarde. E eu ria e me deliciava e era feliz em tanta simplicidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Foi naquele lar que aprendi a fazer pára-quedas para bonecos. Os pára-quedas nunca funcionavam, os bonecos sempre despencavam pesadamente no chão, em meio às folhas caídas das árvores do quintal, porém o que importava era a intenção. Era lá que praticava jogos de bolinhas de gude (peteca para os íntimos) que guardava em uma lata de leite em pó, para perdê-las em grande número para os garotos da vizinhança em rápidos campeonatos no asfalto. Foi naquele quintal que consegui, com a ajuda de um amigo e minhas irmãs, construir um pequeno abrigo encostado ao muro, e era nesse abrigo, feito de teimosia e total satisfação infantil, que realizávamos reuniões que se resumiam a comer biscoitos e contar histórias. Por sorte nunca tivemos uma telha daquilo a que chamávamos teto caindo em nossas cabeças. Mas o que importava era a intenção, e intenção era o que tínhamos de sobra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na última vez em que avistei a antiga casa da Cônego Domingos Maltez, ela já não parecia a mesma. Portas quebradas, jardim abandonado, vidros rachados: perdera toda a majestade da minha meninice, a brancura das paredes, o ar de serena senhora de seus domínios. Deu-me um nó na garganta, por isso não quis entrar lá novamente, não estava disposto a vê-la arruinada, desmanchada e morta por dentro. Morei em muitos outros lugares, e aquela casa sempre me pareceu o lugar perfeito. Ainda é. Aqui, no mesmo canto aconchegante do telescópio, das estrelas, do cent cheio de musgo, dos gibis e dos sanduíches, dos pára-quedas que falhavam, das bolas de gude, ainda é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4274694186016471645?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4274694186016471645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4274694186016471645&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4274694186016471645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4274694186016471645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/av-cnego-domingos-maltez-1108.html' title='Av. Cônego Domingos Maltez, 1108'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4471084486492574690</id><published>2007-04-29T16:38:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:54.104-03:00</updated><title type='text'>Alto-relevo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RjT_hj2s6tI/AAAAAAAAABY/BWFd7KtUGvY/s1600-h/casavazia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058949233469352658" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RjT_hj2s6tI/AAAAAAAAABY/BWFd7KtUGvY/s400/casavazia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;vazia a casa&lt;br /&gt;o dia mudo&lt;br /&gt;histórias claras&lt;br /&gt;de solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sombras ao fundo&lt;br /&gt;amena chuva&lt;br /&gt;olhos cerrados&lt;br /&gt;melhor visão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na calmaria&lt;br /&gt;paredes tortas&lt;br /&gt;janelas brancas&lt;br /&gt;em comunhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somente a fronte&lt;br /&gt;iluminada&lt;br /&gt;em quadros secos&lt;br /&gt;cor de carvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;textura grossa&lt;br /&gt;profundos vincos&lt;br /&gt;alto-relevo&lt;br /&gt;de compreensão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4471084486492574690?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4471084486492574690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4471084486492574690&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4471084486492574690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4471084486492574690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/alto-relevo.html' title='Alto-relevo'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RjT_hj2s6tI/AAAAAAAAABY/BWFd7KtUGvY/s72-c/casavazia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-5518715136070783470</id><published>2007-04-26T19:53:00.000-03:00</published><updated>2007-04-26T20:05:26.921-03:00</updated><title type='text'>História pela metade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Maria nunca sabia o que queria. Pintava, fotografava, cantava, compunha, corria, conhecia e não sabia. Desejou ser borboleta, mas pensou que seria clichê demais. Namorou, namorou novamente e a cada dia faltava alguma coisa, toda vez era uma ponta de iceberg: gelava, queimava. Viajou, visitou, aprendeu línguas e não sabia onde acordava. Uma incompletude enfadonha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Resolveu se despedir. Sem festas, sem lamentos, ninguém na saída. Apenas os olhos vagando de um lado para outro, olhos de desesperança plena postos sobre tudo e todos. Desaprendeu, desafinou, borrou, parou. Na despedida recomeçou em algum país de sonhos, catou folhas num jardim de sombras, lembrou e esqueceu. Maria acabou em si mesma, um poema pela metade. Por mais que se enchesse, não passava da metade. Sem metas, somente a metade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-5518715136070783470?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/5518715136070783470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=5518715136070783470&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5518715136070783470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5518715136070783470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/histria-pela-metade.html' title='História pela metade'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7487150830943590900</id><published>2007-04-23T21:16:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T22:42:57.624-03:00</updated><title type='text'>Inconclusões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Subir até o terceiro andar. Sentir a chuva pesada mordendo de leve a pele, os pêlos. Vontade de pular e se esborrachar no chão só para ver como fica. Conhecer a morte que lhe puxa o calcanhar. Tragar todos os cigarros do mundo e tossir câncer. Declamar poesias fajutas e verdadeiras. Gritar the sky is crying, look at the tears rolling down the street até perder a voz. Beber o absinto da boca da garrafa e imaginar-se um deus que mereça atenção. Ter na cara a vergonha que nunca teve. Formular planos para logo descartá-los. Pensar que tudo isso adianta de alguma coisa. Acreditar que um dia consegue. Um dia consegue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7487150830943590900?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7487150830943590900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7487150830943590900&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7487150830943590900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7487150830943590900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/inconcluses.html' title='Inconclusões'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-5740825817978806541</id><published>2007-04-13T22:48:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:54.309-03:00</updated><title type='text'>Das infâncias que levo comigo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RiA2l6aVWvI/AAAAAAAAABA/-9YygIQAvHI/s1600-h/camilak.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RiA2l6aVWvI/AAAAAAAAABA/-9YygIQAvHI/s400/camilak.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5053098806872464114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Para Camila K. Tu sabes do que estou falando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Claro que te conheço da minha infância. O tempo é inexorável e quer me desmentir com cronologias. O tempo nada sabe das infâncias que levo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pois tu és a amiga que procura minha mão, e com tua mão me guia pelos caminhos distantes da minha vida. E me brindas com o sorriso franco e luminoso de menina que me faz de bobo. E diante da ingente fortaleza dos meus anos idos, ao lado do rio de minhas lembranças, peço-te colo e tu me proteges. Pois amizades são obras de pequenas grandezas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Saudade: volta e meia um sufocamento na distância. Um mal-estar que logo passa ao ver teu lugar perene nessa história de mim; também teus discos, teus livros, a poesia bruta e suave de mulher nos retratos da minha infância. Pois te conheço da minha infância. E o tempo nada sabe das infâncias que escolho. Pois estás aqui, minha amiga, sempre aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-5740825817978806541?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/5740825817978806541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=5740825817978806541&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5740825817978806541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/5740825817978806541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/das-infncias-que-levo-comigo.html' title='Das infâncias que levo comigo'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RiA2l6aVWvI/AAAAAAAAABA/-9YygIQAvHI/s72-c/camilak.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7324287231000071572</id><published>2007-04-01T09:35:00.000-03:00</published><updated>2007-04-01T10:00:13.941-03:00</updated><title type='text'>Cem mil razões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cem mil razões há neste momento para saíres voando. Esquece os cálculos, levanta-te daí. Mas não voas, tens ainda os pés na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nisso que dá ser realista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7324287231000071572?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7324287231000071572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7324287231000071572&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7324287231000071572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7324287231000071572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/04/cem-mil-razes.html' title='Cem mil razões'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-6210446141507350310</id><published>2007-03-27T17:37:00.000-03:00</published><updated>2007-03-27T19:13:44.548-03:00</updated><title type='text'>Digo que matei</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Homenagem a Rubem Fonseca.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando eu digo que matei, é porque matei. Sem essa de frescuras comigo. O último a passar na frente do meu cano foi um flanelinha da Praça da República. Coitado, eu admito, era um pobre coitado, tava tentando ganhar a vida sem fazer muito esforço, fingindo que guardava o meu carro, com um colete amarelo como se fosse algum funcionário credenciado do município. Mas eu juro que não tinha um mísero centavo comigo naquele momento. Expliquei pra ele, mas o sujeito não quis acreditar. Tentei ser educado, dizendo que eu não precisava pagar por um estacionamento que era grátis em qualquer canto daquela praça, mas o cara não acreditou em mim. Eu sinto que ele não acreditou. Ele sairia ileso dali naquele dia, caso não tivesse me deixado ver o cuspe que lançou em minha direção quando eu sentei atrás do volante. Um cara desse tipo tem de ser muito babaca pra cometer um deslize tão grave. Sabe como é: o sangue fluiu todo pra cabeça e daí não tem jeito. Saquei a .44 de debaixo do banco do motorista, ele estava de costas, voltando para um dos bancos de concreto onde ficava coçando o saco. Fiz psiu, ele se virou. Não deu tempo do idiota arregalar os olhos, foi chumbado ali mesmo, no meio da calçada, a cabeça deu um tranco para trás com o impacto da bala perfurando o olho direito. Sim, houve um senhor que viu e saiu logo do meu campo de visão, uma senhora gritou e correu, começou a confusão. Foi então que aproveitei pra me mandar dali, ainda tinha uns assuntos a resolver antes da noite cair. Eu já avisei pra todo mundo que me conhece: detesto cusparadas, ainda mais como gesto de insulto. Um homem que faz isso não é homem, é verme. Se não me conhece, é uma pena. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Da outra vez foi no interior, final de semana, não lembro em que cidade. Entrei num barzinho daqueles com música ao vivo, pedi um chope e tiras de filé acebolado. Não incomodei ninguém, eu nunca incomodo ninguém. Mas um bêbado gostou da minha cara, e veio já sentando ao meu lado, batendo nas minhas costas, me chamando de amigo. Eu não tenho amigos naquela cidade. Minha mãe sempre disse que eu era um sujeito de poucos amigos. Pedi pro pinguço se afastar, ele fez que não era com ele. Pedi de novo, o cara se ofendeu e saiu me chamando de filho da puta e corno. Ele não conhece minha mãe, que sempre foi uma senhora muitíssimo distinta, que Deus a tenha, e muito menos sabe que nunca fui casado pra ter a chance de ter cornos. Acompanhei a criatura com o olhar saindo do estabelecimento e atravessando a rua. Paguei a conta, deixei o filé pela metade. Aquilo me deixou bastante irritado, não desperdiço comida, é uma tremenda falta de respeito com o cozinheiro. Segui o rumo do bebum, virei a esquina. Lá ia ele, olhando pra baixo, balançando pra lá e pra cá. Chamei, o sujeito não respondeu, chamei novamente, então ele se virou perguntando o que é, caralho. Daí, sabe como é: o sangue subiu, como sempre.  Um tiro no centro da testa, o cara afrouxou os joelhos e foi deitando devagar, tombando pesado numa poça de água que havia por ali. Comigo é assim: falta de educação é imperdoável. Quem não sabe disso, acaba sabendo rápido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-6210446141507350310?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/6210446141507350310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=6210446141507350310&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6210446141507350310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/6210446141507350310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/digo-que-matei.html' title='Digo que matei'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7374683523316818055</id><published>2007-03-22T00:50:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:54.474-03:00</updated><title type='text'>4 motivos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RgH-w4g6dAI/AAAAAAAAAA4/60suvYSD0EE/s1600-h/Churrasco_amarelo_032.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044593173389276162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RgH-w4g6dAI/AAAAAAAAAA4/60suvYSD0EE/s400/Churrasco_amarelo_032.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque em certos dias de sábado o sol bate mais forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque sorrisos merecem homenagens. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque, vez em quando, é preciso ser mais que um.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Porque a gratidão tem de ser explícita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7374683523316818055?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7374683523316818055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7374683523316818055&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7374683523316818055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7374683523316818055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/4-motivos.html' title='4 motivos'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/RgH-w4g6dAI/AAAAAAAAAA4/60suvYSD0EE/s72-c/Churrasco_amarelo_032.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-9159378569081752740</id><published>2007-03-22T00:40:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T00:49:21.434-03:00</updated><title type='text'>Folhas secas ao vento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Naquele tempo solitário que se adianta, que se acelera em direção à retina gasta, tudo voltará a ser folhas secas ao vento. Mas até lá há de haver um lugar calmo à sombra para os que se vangloriam de pouco. Nem mais nem menos: exato: o equilíbrio do caos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-9159378569081752740?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/9159378569081752740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=9159378569081752740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/9159378569081752740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/9159378569081752740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/folhas-secas-ao-vento.html' title='Folhas secas ao vento'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-1551897218615664646</id><published>2007-03-18T19:19:00.000-03:00</published><updated>2008-12-13T01:50:54.781-03:00</updated><title type='text'>Chavão</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Rf2-EN3uHwI/AAAAAAAAAAg/rRrAgyU3ha8/s1600-h/chavao_coracao.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043396137376947970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Rf2-EN3uHwI/AAAAAAAAAAg/rRrAgyU3ha8/s320/chavao_coracao.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O coração escuta os gritos&lt;br /&gt;as palavras não ditas&lt;br /&gt;as benditas&lt;br /&gt;as malditas&lt;br /&gt;que sua própria voz profere&lt;br /&gt;e fere.&lt;br /&gt;O coração disfarça descaradamente&lt;br /&gt;o que mente&lt;br /&gt;o que sente&lt;br /&gt;dentro da redoma negra&lt;br /&gt;da nicotina&lt;br /&gt;(Ah, menina!)&lt;br /&gt;da bebida&lt;br /&gt;afogada ressentida.&lt;br /&gt;O coração, pobre coração&lt;br /&gt;esta máquina de ilusão&lt;br /&gt;não se contenta&lt;br /&gt;com o que agüenta&lt;br /&gt;e tenta&lt;br /&gt;tensa, veloz, lenta&lt;br /&gt;alçançar por fim o chão&lt;br /&gt;da terra-perdição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-1551897218615664646?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/1551897218615664646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=1551897218615664646&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1551897218615664646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/1551897218615664646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/chavo.html' title='Chavão'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/Rf2-EN3uHwI/AAAAAAAAAAg/rRrAgyU3ha8/s72-c/chavao_coracao.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-8894829164542103512</id><published>2007-03-17T18:32:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T18:59:42.687-03:00</updated><title type='text'>Bom é quando faz mal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fumo esse cigarro. Preciso parar de fumar cigarro, mas sou como muitos outros, só fico na promessa. Ridículo. Bebo meu absinto, o gosto de anis impregnando a garganta inteira, o álcool rasgando até a boca do estômago. A cabeça dá voltas. É assim mesmo. Como diz aquela música do Matanza: bom é quando faz mal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As mulheres nesse bar. Todas querendo ser mais vistosas do que as vizinhas, todas distribuindo olhares e sorrisos, pensando que estão com toda essa bola. Só maquiagem e cheiro de fumo nos cabelos. Ridículo. E mostram pernas, coxas, seios, batons caros e pouca originalidade. Ridículas. Quem afirmou que o mundo era movido a sexo tinha completa razão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A música soando alta, iluminação pobre, e todos acham que são reis. Qualquer um pode ser qualquer coisa no meio de toda essa penumbra. Uns babando, outros exibindo. Prefiro esta mesa no canto. Bom ângulo para observar a fauna que se agita e mostra cartões de crédito. Fumo outro cigarro, peço outro absinto, o garçom volta com outra dose, engulo a porcaria e dou risada de toda essa merda. Ao menos sobram os vícios. Um brinde ao futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-8894829164542103512?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/8894829164542103512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=8894829164542103512&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8894829164542103512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8894829164542103512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/bom-quando-faz-mal.html' title='Bom é quando faz mal'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7329624264110083022</id><published>2007-03-15T18:33:00.000-03:00</published><updated>2007-03-15T20:07:26.888-03:00</updated><title type='text'>Resumo de uma vida de todos os dias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Deitado no sofá, ouvindo Ben Harper. Você gostava de Ben Harper, fechava os olhos e sentia os acordes de cada canção entrando e saindo lá do fundo, eram suas bênçãos. Os cabelos jogados sobre o rosto. Mas eu sabia como era seu rosto, eu o adivinhava perfeitamente mirando-a pelas costas. Às vezes eu chegava no final da tarde e você já estava ali, no meio da sala, luzes apagadas, desligada para tudo o mais, só existia para aquele tom, aquela melodia que saía das caixas de som, ocupando todo o espaço ao redor. E eu não a interrompia, era o seu ritual sagrado. Eu esperava pacientemente. Eu admirava o pequeno cômodo transformado em simples altar, sem ícones, e você sentada no chão, no chão frio de azulejo, pernas dobradas, mãos nos joelhos: seu momento pleno e único. W&lt;em&gt;aiting On An Angel.&lt;/em&gt; Você dizia que esse era o resumo da sua vida de todos os dias. Porque todos temos as nossas vidas e, além delas, a vida de cada dia. Às vezes você chorava quando acompanhava o refrão, entretanto era um choro de criança feliz, e eu ficava também feliz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Outras vezes, quando eu aparecia à frente de casa, você já se encontrava parada no degrau da porta. Sorria para mim, aqueles dentes meio escondidos e cândidos, o olhar terno de quem parecia ter compreendido o mundo e não se importava com isso. A fadiga do trabalho ia embora no segundo seguinte, eu me sentia leve e sorria também. Sentava a seu lado, punha a cabeça em seu ombro, segurava sua mão e ficávamos os dois como se fôssemos um apenas, e você balançava e me levava junto no ritmo e esquecíamos o barulho do tráfego, os vizinhos, esquecíamos nós mesmos perdidos naquele degrau. Pois todos nós deveríamos nos ver assim, perdidos numa imensidão de sensações, sem pensamentos. Você fechava os olhos como sempre, eu deixava os meus abertos para você. Que o tempo flua, você dizia, que o tempo nos deixe aqui, que o tempo nos deixe para trás para nos encontrarmos, você dizia. Eu repetia aquelas palavras, eram a minha catequese, a nossa oração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Ainda aqui, Ben Harper e eu. Espero pelo anjo, o anjo que sempre me levava para casa. Esta não é a minha casa, não mais. Espero compreender e esquecer o mundo. Espero você à minha frente. Apago as luzes, mas o altar está vazio. Que o tempo flua, eu digo, e o templo não flui. Que o tempo me deixe para trás para encontrar você, e não a encontro. Somente Harper e eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Waiting on an angel&lt;br /&gt;One to carry me home&lt;br /&gt;Hope you come to see me soon&lt;br /&gt;Cause I don´t want to go alone&lt;br /&gt;I don´t want to go alone&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Now angel won´t you come by me&lt;br /&gt;Angel hear my plea&lt;br /&gt;Take my hand lift me up&lt;br /&gt;So that I can fly with thee&lt;br /&gt;So that I can fly with thee&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;And I´m waiting on an angel&lt;br /&gt;And I know it won´t be long&lt;br /&gt;To find myself a resting place&lt;br /&gt;In my angel´s arms&lt;br /&gt;In my angel´s arms&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;So speak kind to a stranger&lt;br /&gt;Cause you´ll never know&lt;br /&gt;It just might be an angel come&lt;br /&gt;Knocking at you door&lt;br /&gt;Knocking at you door&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7329624264110083022?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7329624264110083022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7329624264110083022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7329624264110083022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7329624264110083022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/sobre-o-resumo-de-uma-vida-de-todos-os.html' title='Resumo de uma vida de todos os dias'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-3583614044744823418</id><published>2007-03-11T13:41:00.000-03:00</published><updated>2007-03-11T15:14:42.570-03:00</updated><title type='text'>João e o mundo que estava errado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;João olhou para o céu e não achou nada de interessante, nenhuma ave, nenhuma nuvem, avião nenhum, apenas aquele azul todo sem saber o que fazer lá em cima. Uma chatice o céu daquele jeito, pensou chupando o gomo de uma laranja. O que se pode fazer num dia sem nuvens e sem aves planando? O mundo estava estranho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma calmaria imensa. Ruídos longínquos vez em quando, porém o resto não se mexia, coisa alguma se quebrava, nada caía, ninguém se matava, não havia brigas, gritos, risadas. Terminou o gomo da laranja e resolveu caminhar. Que mundo era aquele cheio de paz, cheio de silêncio, ele não sabia, nunca tinha ouvido falar numa coisa assim. Sentia medo, porque o mundo não fazia sentido. Os únicos momentos de alívio eram quando os ruídos longínquos chegavam a seus ouvidos. Logo depois tudo se transformava numa quietude assustadora. Não sabia para onde ir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Caminhou e não encontrava ninguém. Sem nuvens, sem aves, sem aviões, nem pessoas, nem cães, nem autos. O mundo estava vazio. O mundo estava errado. Não gostava disso. Caminhou, pegou outro gomo de laranja, chupou, pensava. A cada passo uma angústia crescia mais e mais. Cadê as coisas, cadê tudo? Olhava de um lado para outro, não divisava nada comum. Decidiu ir em busca dos ruídos distantes. Mas de onde eles vinham, não fazia idéia. Para que lado seguir, não se decidia. O que eram os tais ruídos, não sabia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Procurou a esmo, pôs-se a correr para lá e para cá e para acolá. Pista nenhuma. O pânico tomara o lugar da angústia. O mundo vazio, não podia ser que o mundo estivesse vazio, deviam ter-lhe avisado de que o mundo seria evacuado naquele dia, ele teria se precavido contra aquela fatalidade. Não era justo, aquele silêncio todo não era justo com João. Sempre procurara ser um homem correto, cumpridor de seus deveres, respeitador dos diretos dos outros, por que então só ele deveria ficar andando sem rumo, tendo por companheira uma única laranja que se acabava aos poucos em suas mãos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não era justo, repetia. Começou a chorar. Levantou os olhos novamente para o céu. Apenas azul, um azul que o fazia tremer. Tinha de se esconder, mas se esconder onde? De quem? Do silêncio, do vazio? O mundo era por toda parte, não havia canto algum seguro. Chorou ainda mais. Ruídos outra vez, agora mais distantes, quase sumindo. Parou de correr, não havia sentido em correr. Ajoelhou-se, deixou a laranja rolar pelo chão. Não queria mais saber de laranjas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um urubu o espiava de cima de um muro. João o avistou e gritou de felicidade. A ave envergou as asas e manteve-se naquela posição, olhar sério. João esperou, afinal ele não estava sozinho, concluiu com um sorriso largo. Logo ele viu outros carniceiros chegarem e pousarem ao lado do primeiro. Bateu palmas, gargalhou, o mundo não estava de todo errado. Alguns urubus levantaram as asas, outros mantinham o pescoço abaixado em direção ao homem que dançava feito bobo. Espiavam. Esperavam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-3583614044744823418?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/3583614044744823418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=3583614044744823418&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3583614044744823418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/3583614044744823418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/03/joo-e-o-mundo-que-estava-errado.html' title='João e o mundo que estava errado'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-572592845239371870</id><published>2007-02-25T14:56:00.000-03:00</published><updated>2007-02-25T15:32:08.202-03:00</updated><title type='text'>Dia de sopa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As saudades me vêm bater à porta. Rever os antigos quadros poeirentos não é do meu agrado. Não as atendo. Encho a colher e tomo da sopa morna de feijão com batatas. Despedaço o pão, encharco o miolo no líquido e o engulo, sorvendo as gotas a escorrer pelo lábio. Não quero saber de saudades hoje. Elas insistem e insistem. Uma dor cresce, e continuo com a refeição. Quase um sufocamento de morte, mas não pretendo sair daqui. Hoje não. Rostos, palavras e histórias me espiam ansiosos da janela, uma chuva caindo pesada e mansamente. Não lhes dou atenção. Não hoje, pois hoje é dia de sopa. Vão embora: hoje é dia de sopa. Hoje é dia de sopa. Feijão com batatas. Deixem-me em paz. Estou sufocando. Só desejo tomar minha sopa. É dia de sopa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-572592845239371870?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/572592845239371870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=572592845239371870&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/572592845239371870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/572592845239371870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/dia-de-sopa.html' title='Dia de sopa'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-8215176293558616288</id><published>2007-02-20T19:43:00.000-03:00</published><updated>2007-02-20T20:50:12.551-03:00</updated><title type='text'>Pra que te quero, folião?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Acabou-se o carnaval. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não, ainda não. Os derradeiros foliões embriagados atravessam o asfalto cantando na chuva e sambando sobre as misérias e as esperanças do resto do ano. O bumbo ressoa grave no ouvido, a cuíca passa fazendo graça, o pandeiro dança já cansado na ponta do dedo. Ninguém quer partir. Outros cá e acolá já retiram os abadás: anestesia, alívio, falta de uma qualquer coisa. Garrafas vazias, mas a música teima nos pés. Olhos vermelhos, e o sono distante, a passo de tartaruga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Último dia, último gole, último passo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Agora sim: acabou-se o carnaval. Amanhã ressaca, hoje descanso, pés doídos, sorrisos frouxos de exageros. Virando a esquina o carro de som se despede triste, cada um para seu canto. Sensação de dever cumprido, mas não é isso. Uma falta de qualquer coisa que não se acha. Arrependimentos só mais tarde, nos remendos das memórias. Mas que importa?, respondem todos, fui rei, fui rainha, fui pirata, bailarina, travestido, grego, troiano, tirolês, italiano, português, macaco, perua, índio, soldado, brasileiro. Fui anônimo e fui feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma caixa de Engov, rápido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-8215176293558616288?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/8215176293558616288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=8215176293558616288&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8215176293558616288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/8215176293558616288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/carnaval-pra-que-te-quero.html' title='Pra que te quero, folião?'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-4925387999656690962</id><published>2007-02-14T20:20:00.000-03:00</published><updated>2007-02-14T20:34:34.335-03:00</updated><title type='text'>O menino-árvore</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            O menino levantou da cama querendo tornar-se árvore. A mãe sorriu, o pai resmungou algo, mas ninguém deu atenção ao que ele dizia. Afinal de contas, para que ser árvore? Coisa mais sem sentido e sem graça uma árvore. Tomava muita água, é verdade, desde pequenino, porém o que uma coisa tinha a ver com outra, não é mesmo?, é só uma criança, fantasias demais, criança é assim mesmo, aproveita e vai comprar um pão pro café, vai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            Ele foi, trouxe o pão e voltou a afirmar que queria ser árvore, das normais, não precisava de muita frescura: tronco, galhos, ramos, folhas. Tá bom, filho, mas como é que se faz pra virar árvore? O menino também não sabia, por isso ficou calado, olhando para o quintal que possuía uma mangueira, uma ameixeira e uma goiabeira. O pai sorriu, tentou parecer benevolente e compreensivo, desarrumou ainda mais o cabelo revolto do filho, perguntou se hoje não tinha aula, o filho retorquiu que não e ficou pensativo. Ele pensava demais, e isso era ruim, comentou o pai com a mãe depois do desjejum. Não se preocupa, amor, vai passar, nessa idade todo menino é igual. É verdade, tem razão, aceitou o pai, procurando na memória o dia em que queria também ser árvore. Desistiu e foi para o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            O dia se passou sem grandes acontecimentos, um mormaço comum de verão. Até que a mãe notou o silêncio da casa e chamou pelo menino, que não respondeu. Levantou-se do sofá e foi até o quintal, ele sempre gostava de brincar por ali. Nenhum sinal. Apreensiva, correu para a frente da casa, olhou de ambos os lados e não avistou seu filho. Perguntou na casa dos vizinhos, alguém viu meu filho?, ninguém viu seu filho, dona, eu não vi, eu também não etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            Ligou para o marido, ele veio depressa, sem entender direito o que a mulher gritava no telefone, porém intuindo algo grave. Chegou a sua casa e viu a esposa sentada na calçada, as mãos apoiando a cabeça, o rosto constrito; pior, era bem pior do que imaginara. Nosso filho sumiu, ele sumiu. E o homem tentando entender o que ela dizia, mas sumiu como?, sumindo, que diabo de pergunta, homem, ele sumiu sumindo, soluçou ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            Então o homem se lembrou da história do menino querer se transformar em árvore, e não pôde deixar escapar um riso nervoso e involuntário pelo canto da boca. Não, não pode ser, impossível, murmurou, a mulher olhando-o sem compreender nada, os olhos cansados de chorar. Você olhou pra cima, pros galhos das árvores aqui por perto?, e não esperou a resposta da esposa, saiu a espiar por baixo todos os galhos de todas as árvores da vizinhança, gritando o nome do filho. Ambos saíram à procura do menino, enquanto os vizinhos pensavam que o menino aprontara alguma séria traquinagem, ou que os pais haviam enlouquecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            No final da rua, já imaginando coisas que não queriam imaginar, encontraram o moleque trepado num abacateiro, chupando o dedo com uma expressão calma, porém sem dar mostra de ouvir qualquer palavra que lhe dirigiam. A mulher abraçou-o bem forte, o homem respirou aliviado e se agachou ao lado perguntando que idéia ridícula de pregar essa peça na gente?, mas o menino mantinha o olhar distante. Levaram-no para casa, deram-lhe banho, ele continuava sem reação. A mãe tentou puxar o dedo à força de sua boca, pediu ajuda ao marido, e nada: era como se tivesse engessado o braço, a mão naquela posição. Deixa o moleque quieto, quem sabe de manhã ele já tenha melhorado, declarou o pai, sem certeza alguma. A mãe concordou abanando a cabeça lentamente, foi preparar um café para os dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            No meio da noite, ambos dormindo ao lado da cama do filho, acomodados de qualquer jeito, acordaram ao ouvi-lo pedir por água, muita água. A mãe chorou, desta vez de alegria, o pai também se deixou levar pelas lágrimas, ah, graças a deus, nosso filho voltou. Foram buscar água, trouxeram uma jarra cheia. O menino bebeu do líquido como se não se refrescasse há uma semana inteira, encharcou a camisa, a bermuda, formou uma pequena poça ao redor dos pés no chão, e os pais diziam pode beber tudo , meu filho, não faz mal, depois a gente arruma tudo, pode beber, ah, graças a deus. O menino esvaziou o recipiente, devolveu-o ao pai e recostou-se novamente no travesseiro, fechando os olhos devagar. A mãe disse que agora podiam dormir sossegados, cobriu o filho com um lençol e os dois saíram do quarto desligando a luz, desejando bons sonhos à criança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;            E o moleque sonhou, sonhou que era árvore, uma árvore majestosamente alta, de galhos bem compridos, um tronco grosso e resistente, casca dura, fazendo sombra a incontáveis criaturas, sentindo a luz do sol deixando-a cada vez mais bonita e vistosa, crescendo e tomando conta do mundo inteiro, tal era o tamanho de sua copa. E o moleque sorria durante o sonho, daqueles sorrisos fáceis, enquanto respirava fundo e regularmente sob a coberta, e um pequenino broto nascia atrás da orelha, hesitando entre tímido e determinado, bonito e vistoso, cheio de viço, como devia ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-4925387999656690962?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/4925387999656690962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=4925387999656690962&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4925387999656690962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/4925387999656690962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/o-menino-rvore.html' title='O menino-árvore'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-7980475352461346456</id><published>2007-02-10T19:05:00.000-03:00</published><updated>2007-02-10T20:52:03.649-03:00</updated><title type='text'>Fatos reais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;CENA 1: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Belém, Pará, Brasil. Uma garota tenta atravessar a Avenida Almirante Barroso correndo a pé, em meio a um tráfego pesado e a automóveis apressados. Detalhe: o ponto que ela escolhe para isso está logo abaixo de uma passarela que dá acesso ao outro lado da via. Ela calcula mal sua corrida e é atropelada por um carro de passeio. O motorista pára, socorre a vítima, porém ela não resiste aos ferimentos e falece. Testemunhas do acidente mostram-se indignadas, horrorizadas, e partem para cima do motorista com a intenção de promover um linchamento em plena avenida. A polícia chega para acalmar os ânimos e leva o acusado para interrogatório na delegacia. Pais e amigos da vítima clamam por justiça. Justiça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 2:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Campinas, São Paulo, Brasil. Domingo, início de noite, último dia de férias das aulas. Na Avenida Santa Izabel, em frente à Moradia Estudantil da Unicamp, uma moça chega de carro e faz a curva para entrar por uma das duas guaritas da moradia. Não percebe uma moto vindo em sentido contrário a uma velocidade razoavelmente alta. O motoqueiro, um jovem entre 20 e 25 anos, colide brutalmente com a porta lateral de passageiros do automóvel e literalmente voa por cima do mesmo, caindo no asfalto. A multidão se aglomera, uma ambulância é pedida com urgência. A motorista fica em estado de choque. Os pára-médicos colocam um colete no pescoço da vítima e transportam-na para um hospital. Antes disso, a vítima ainda possui fôlego para gritar que "ela vai pagar o estrago, ela vai pagar tudo". Os pais do motoqueiro chegam no momento em que a ambulância parte. A mãe encontra a motorista no meio do povo, faz sérias ameaças à garota, gritando desesperadamente que a "maldita quis matar meu filho". A garota apenas chora e não responde, traumatizada com o ocorrido. Detalhe: uma lombada na rua, e que o motoqueiro ignorou por completo antes de se chocar com o automóvel. Quem paga por isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 3:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Campinas, São Paulo, Brasil. Dentro da Unicamp, por volta do meio-dia, na praça do Ciclo Básico, muitas pessoas dirigem-se ao Restaurante Universitário para o almoço. Tudo dentro da normalidade, até que um garoto, 22 anos, estudante da própria universidade, precipita-se do alto de uma caixa d'água de mais de 10 metros de altura, localizada num canto da praça. Muitos se aglomeram para ver o que está acontecendo, enquanto contemplam o corpo inerte do rapaz. Descobrem mais tarde que ele passava por depressão profunda devido a muitos problemas pessoais. Todos ficam sabendo da tragédia, inclusive muitos que são de fora da instituição acadêmica. No entanto, não há uma única e simples nota do suicídio na mídia local. A universidade consegue fazer com que a notícia não seja veiculada de jeito algum pelos meios de imprensa. Como? Segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 4:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Macapá, Amapá, Brasil. Adolescente mata com tiro um homem por causa de uma cerveja. Essa é a notícia espalhada pela cidade. Depois averiguam que há mais detalhes sobre o caso. Havia um chefe de gangue que costumava comer e beber em um bar e nunca pagava pelo que consumia com seus parceiros. O dono do bar, pai do garoto, para não iniciar uma briga com os marginais, sempre deixava por isso mesmo. E o filho sempre via a mesma cena se repetir toda semana. Um dia, o pai, por algum motivo, não pode cuidar do bar e a mãe é quem toma conta do estabelecimento. O chefe da gangue aparece sozinho e pede uma cerveja. Após esvaziar a garrafa, diz que não vai pagar pela bebida. A mãe, ainda não acostumada com a atitude rotineira do malandro, reclama. O marginal engrossa a conversa. O garoto, não suportando ver sua mãe sendo ofendida pelo sujeito, pega de um revólver guardado nos fundos do bar, volta com ele carregado e atira no marginal, que morre ali mesmo. Por causa de uma cerveja e muito mais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* &lt;em&gt;Eventos descritos sem ordem cronológica, porém absolutamente reais, testemunhados por mim, parentes, amigos, e/ou por conhecidos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-7980475352461346456?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/7980475352461346456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=7980475352461346456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7980475352461346456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/7980475352461346456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/fatos-reais.html' title='Fatos reais'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-117072781356152149</id><published>2007-02-05T22:12:00.000-03:00</published><updated>2007-02-05T23:10:13.616-03:00</updated><title type='text'>Elegia à última rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/10325/Rosas_murchas.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/821111/Rosas_murchas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A última rosa morreu. Não mais água, não mais adubos, não mais amores. Dela sobeja um broto de saudades a reclamar, murcho, por vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A última rosa morreu: um raio de luz que veio e passou pela única fresta da porta dos fundos. Cansou da espera pelo paraíso e pelo perdão dos homens. Fechou os olhos, baixou as pétalas. Ouviu a brisa, respondeu amém. Espinhos tortos. Mão nenhuma para sangrar. Sem lágrimas nem salvação. Morreu última, cálida, soberana. Passam nuvens, passa o sol, vem a lua, volta o sol. Morreu a rosa só. Só. Palavra imensa de morte a reclamar, mínima, por vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-117072781356152149?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/117072781356152149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=117072781356152149&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117072781356152149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117072781356152149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/elegia-ltima-rosa.html' title='Elegia à última rosa'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-117042818534982722</id><published>2007-02-02T10:24:00.000-03:00</published><updated>2007-02-02T13:26:20.450-03:00</updated><title type='text'>O Perfume: filme</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/965635/Perfume_poster.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/68432/Perfume_poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O enredo do romance, por si só, já era algo um tanto estranho e, de certa maneira, complexo. Adaptá-lo para o cinema com certeza exigiria bastante da competência de seus realizadores. Pelo visto, o diretor Tom Tykwer &amp; cia. fizeram um belo e grandioso trabalho neste filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pela atmosfera. A França do século XVIII é, por muitos, imaginada em penumbras e ares funestos, ambientes frios, carregados e nauseantes. Nada disso falta nas cenas de &lt;em&gt;O Perfume&lt;/em&gt;:&lt;em&gt; &lt;/em&gt;os jogos de sombra e luz foram primorosos, condizentes com a própria atmosfera da obra literária de Süskind.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ben Whishaw. Este é o nome do ator britânico ainda desconhecido pelo grande público. A escolha de seu nome para o papel do assassino Grenouille foi bem acertada, embora sua aparência seja até simpática aos nossos olhos. A descrição da personagem no romance é mais pesada do que o que foi mostrado no cinema, demonstrando uma preocupação estética de Tykwer para que os espectadores não se assustassem tanto com o protagonista. A trama parece ter perdido um pouco da própria força estética da história, porém temos de nos contentar com o fato de que isso é apenas uma adaptação cinematográfica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há que se reconhecer o esforço em reproduzir a densidade do livro nas cenas. Não é nada fácil tentar transmitir sensações olfativas em um meio audiovisual. Os efeitos especiais e algumas sugestões de imagens ajudam nesse trabalho, porém o espectador tem de procurar se sentir dentro da trama, não apenas observá-la, como na maioria de outros filmes. Uma vez Tom Tykwer foi indagado sobre como resolveria este problema de transmitir tais sensações para a tela, e ele respondeu que o próprio livro de Patrick Süskind também não exala os cheiros que descreve. Ou seja, quem assiste ao filme deve participar do mesmo. Um bom exercício de olfato e de imaginação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/880559/Perfume_filme.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/358296/Perfume_filme.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há quem critique o fato das falas das pesonagens serem em inglês, e não em francês, o idioma do país onde se desenrola a história. Na verdade, isso é apenas um detalhe mínimo que não interfere em nada na beleza do filme. A atuação de Dustin Hoffman e Alan Rickman, os únicos dois atores internacionalmente conhecidos no elenco, também faz com que o filme seja melhor recebido pelas platéias nas salas de cinema. O que vale a pena frisar é a competência do trabalho bem feito pela equipe de Tykwer, da ótima (não excelente, porém) caracterização de Grenouille por Whishaw e do próprio enredo baseado no livro, este por si só magistral. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Diversas opiniões controversas podem surgir a respeito deste filme. O resultado final nos dá a impressão de que falta alguma coisa. E realmente falta: a nossa percepção dos próprios aromas nos quais se sustenta toda a trama, as verdadeiras personagens. Para isso deve-se reforçar a interação do espectador com a história. Tratar do olfato no cinema é sempre complicado. É aí que o homem entra com seu dom de imaginar. Imagine e sinta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-117042818534982722?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/117042818534982722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=117042818534982722&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117042818534982722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117042818534982722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/02/o-perfume-filme.html' title='O Perfume: filme'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-117020764612108809</id><published>2007-01-30T21:35:00.000-03:00</published><updated>2007-01-30T22:45:39.023-03:00</updated><title type='text'>Filosofias à parte, o que sobra é o copo cheio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tomei da coca-cola esperando o tempo e o mundo passarem. Não passam. A tarde se vai, o pôr-do-sol nasceu, começa a morrer, e o tempo e o mundo ali, teimando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela história de espaço-tempo devia fazer algum sentido, afinal. Por isso o homem jamais conhecerá o universo por inteiro. Ainda por cima, vê as estrelas com milhares, milhões, bilhões de anos de atraso. Mas o que estou dizendo? Filosofias à parte, o que sobra é o copo cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um gole, a úlcera já começando a reclamar. Muito açúcar, disse o médico, assim não há corpo que agüente. Que agüentasse o que pudesse agüentar, então. Tudo se vai ao limite nessa vida, pois ela nos é dada para ser estragada. Acho que li isso em algum livro ou em um pára-choque de caminhão, não tenho certeza. E a mesma vida é levada, em sua maior parte, sem certezas, apenas com rotinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a mão no estômago. Não vou parar de beber coca-cola porque um médico com diploma pendurado na parede e sorriso cansado me sugeriu um absurdo desses. Aliás, nem sei por que fui ao médico. Não gosto de médicos. São gente estranha, te mandam tomar quilos de pílulas e litros de xaropes e ainda cobram por isso. Não gosto de médicos. Entretanto Hipócrates devia ser um sujeito interessante. Penso eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos as horas no relógio. Besteira olhar as horas no relógio. O tempo não passa. O mundo não saiu do lugar. Só não jogo o relógio fora porque me foi dado de presente por minha ex-mulher. Mas se a mulher é ex, por que não jogá-lo fora? Poderia ser um ex-relógio, sem problema. Tomo da coca-cola, solto um arroto discreto. Ninguém precisa escutar meu arroto. E se alguém escutasse? Tomo de novo da coca-cola. Amanhã eu me desfaço do relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de tarde, eu tomando aqui uma coca-cola. Gosto de coca-cola. Não gosto de médicos. A minha úlcera que se agüente, que reclame, que faça uma denúncia por escrito e o escambau, eu tomo minha coca-cola. Leio meus livros tomando coca-cola. Tomo café da manhã com coca-cola. Não vejo nada grave numa coca-cola, os outros é que são paranóicos com essa história de acidez demais, açúcar demais, edulcorantes demais na coca-cola. Se fosse ruim, não se comprava e não se tomava coca-cola livremente nas ruas, nos restaurantes, nas lanchonetes, nos bares, nas praças, nas festas. Os homens estão ficando paranóicos de verdade. Cigarro faz mal, cerveja faz mal, atropelamentos fazem mal, bruscas quedas nas bolsas de valores fazem mal, o efeito estufa faz mal. Agora o médico deu para implicar com minha coca-cola. Não gosto de médicos. Não volto mais a esse médico. Está decidido. Jogo fora meu relógio, não retorno ao consultório e continuo tomando a minha coca-cola. E a úlcera continua reclamando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo e o mundo ainda estão aqui. O sol já era, minha coca-cola também. Peço outra. Copo cheio, até a boca. Bolhinhas de gás carbônico estourando na superfície, o aroma leve entrando nas narinas. Bom tomar minha coca-cola. Os médicos, os cientistas, os economistas que fiquem com o resto do espaço-tempo, eu só quero a minha coca-cola. Beber do líquido negro, não há nada melhor. Talvez sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo com goladas de coca-cola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êxtase, puro êxtase.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-117020764612108809?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/117020764612108809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=117020764612108809&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117020764612108809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117020764612108809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/filosofias-parte-o-que-sobra-o-copo.html' title='Filosofias à parte, o que sobra é o copo cheio'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-117004008423990645</id><published>2007-01-28T23:54:00.000-03:00</published><updated>2007-01-29T00:18:06.686-03:00</updated><title type='text'>O Perfume: livro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/148131/book_o_perfume.jpg"&gt;&lt;/a&gt;"Na época de que falamos, reinava nas cidades um fedor dificilmente concebível por nós hoje. As ruas fediam a merda, os pátios fediam a mijo, as escadarias fediam a madeira podre e bosta de rato; as cozinhas, a couve estragada e gordura de ovelha; sem ventilação, salas fediam a poeira, mofo; os quartos, a &lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/775724/book_o_perfume.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/320296/book_o_perfume.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;lençóis sebosos, a úmidos colchões de pena, impregnados do odor azedo dos penicos. Das chaminés fedia o enxofre; dos curtumes, as lixívias corrosivas; dos matadouros fedia o sangue coagulado. Os homens fediam a suor e a roupas não lavadas; da boca deles fediam a dentes estragados, dos estômagos fediam a cebola e, nos corpos, quando já não eram mais bem novos, a queijo velho, a leite azedo e a doenças infecciosas. Fediam os rios, fediam as praças, fediam as igrejas, fedia sob as pontes e dentro dos palácios. Fediam o camponês e o padre, o aprendiz e a mulher do mestre, fedia a nobreza toda, até o rei fedia como um animal de rapina, e a rainha como uma cabra velha, tanto no verão quanto no inverno. Pois à ação desagregadora das bactérias, no século XVIII, não havia sido ainda colocado nenhum limite e, assim, não havia atividade humana, construtiva ou destrutiva, manifestação alguma de vida, a vicejar ou a fenecer, que não fosse acompanhada de fedor." &lt;/em&gt;(Patrick Süskind. &lt;strong&gt;O Perfume&lt;/strong&gt;, Editora Record, 19ª tiragem, 1999).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dos livros que mais me impressionou em todos esses anos de leitura foi, sem dúvida alguma, &lt;em&gt;O Perfume&lt;/em&gt;, do alemão Patrick Süskind. E o subtítulo deixa claro o que se encontrará nas páginas da obra: &lt;em&gt;História de um Assassino&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Grenouille, Jean-Baptiste Grenouille é o nome da personagem que provoca asco, ódio, pena e admiração. Possui até mesmo data precisa de nascimento: 17 de julho de 1738. Um parisiense que veio ao mundo em meio a vísceras de peixes espalhadas no chão de uma barraca de feira. E que possuía o nariz mais sensível do mundo, capaz de detectar as mínimas nuances de odores de qualquer tipo, em qualquer lugar, em qualquer situação. Mas que, ao contrário de todos, não possuía um cheiro corporal próprio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Süskind conseguiu, ao publicar este romance em 1985, transmitir sensações e produzir reações proporcionadas por um sentido muitíssimo pouco explorado na literatura: o olfato. E conseguiu realizar tal façanha com uma maestria assustadora. Se você ainda duvida, releia o parágrafo acima extraído da primeira página do livro e tire suas próprias conclusões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O motivo para a pouca exposição do olfato a leitores é justamente a dificuldade em transmitir-lhes um universo de cheiros a ser compreendido em algumas palavras confinadas em frases e parágrafos. Isso não pode ser feito apenas pelos escritores, pois eles necessitam também da imaginação de quem os lêem. Todavia, neste livro temos a impressão de sentir verdadeiramente, em alguns momentos, os aromas e fedores tão vivamente descritos pelo autor alemão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas por que então seria essa a &lt;em&gt;História de um Assassino&lt;/em&gt;? O próprio romance dá a resposta à questão: "... as pessoas podiam fechar os olhos&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/628474/Patrick_S??skind.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/839090/Patrick_S%3F%3Fskind.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; diante da grandeza, do assustado&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;r, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Grenouille, desde muito cedo, sempre passou por grandes sofrimentos e castigos. Entretanto ele não se importava com dores, fome, falta de afeto e todo tipo de condições desumanas. Seu único interesse na vida eram os cheiros. Não sabia - e nem se preocupava em saber - os nomes das coisas e das gentes, mas mantinha uma vastíssima "biblioteca de cheiros" em sua mente, criava e recriava, destrinchando e tratando odores em seus pensamentos. Sua cabeça funcionava pelo olfato. O que é algo um tanto inconcebível para nós, pobres humanos que desaprendemos a usar este nosso sentido, mostrado aqui como uma qualidade extraordinária, detentor de poderes inexplorados. Só quem pôde se beneficiar destes poderes até hoje, de forma ampla e irrestrita, foi Jean-Baptiste Grenouille, que chegou a ser comparado aos grandes "monstros" da História mundial, como Sade e Bonaparte. Grenouille apenas caiu no esquecimento porque foi ímpar "numa área que não deixa rastros na história: o reino fugaz dos perfumes".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este romance foi um sucesso de vendas em todo o mundo logo após seu lançamento, e certamente é merecedora de muita atenção pelos amantes da literatura. Eu mesmo já o li duas vezes e é provável que ainda este ano ele volte à cabeceira de minha cama. Agora produziram o filme homônimo baseado na obra de Patrick Süskind. Mais tarde volto aqui para comparar o trabalho cinematográfico com o literário. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para procurar:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Título: &lt;strong&gt;O Perfume, História de um Assassino&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Autor: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Patrick Süskind&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Editora: &lt;strong&gt;Record&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-117004008423990645?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/117004008423990645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=117004008423990645&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117004008423990645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/117004008423990645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/o-perfume-livro.html' title='O Perfume: livro'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116966143385744470</id><published>2007-01-24T14:56:00.000-03:00</published><updated>2007-01-24T14:57:13.876-03:00</updated><title type='text'>Cena de rua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela disse nunca mais, seu filho da puta, nunca mais, tá ouvindo?, e ele seguiu atravessando a rua no meio da chuva, o pacote debaixo do braço. Pensou em parar e falar alguma coisa, porém achou melhor simplesmente continuar. Sabia que, se olhasse de volta, veria aquela cara com lágrimas querendo pular para fora dos olhos, os lábios apertados entre si. Veria também um alívio naquela expressão, um alívio imerso numa angústia. Não sabia como isso podia ser, mas podia. Chegou até a outra calçada, verificou novamente o embrulho, estava bem protegido das gotas d'água: pegou o caminho da direita. Pararia em outro lugar para terminar o café que abandonou pela metade na padaria, fumaria seu cigarro guardado no bolso da jaqueta e pensaria que não havia outro modo de ser senão aquele. Não abriria o pacote, estava decidido. Não valia a pena. Jogaria aquilo numa cesta de lixo longe dos olhos dela: respeito por aquela mulher ou não, apenas não achava justo desfazer-se do embrulho por ali mesmo. Um pouco de dignidade, pelo menos. Fumaria o seu cigarro, sim, depois pensaria no que fazer pelo resto do dia e da semana e da semana seguinte. Seguiu pela calçada, seguiu pela chuva, nenhum olhar de volta. Ela já havia saído dali, conhecia seu jeito, não valia a pena voltar. Não senhor, não senhor. O tapa ainda ardia na pele, porém era o de menos. Dez palavras desferidas em três segundos e acabou-se tudo. Mas ao menos que ela pagasse a porra do café frio naquela porra de padaria. Paciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116966143385744470?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116966143385744470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116966143385744470&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116966143385744470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116966143385744470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/cena-de-rua_24.html' title='Cena de rua'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116939359028215661</id><published>2007-01-21T12:14:00.000-03:00</published><updated>2007-01-21T12:39:13.003-03:00</updated><title type='text'>Walking Around *</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/814692/PabloNeruda.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/863473/PabloNeruda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/950552/PabloNeruda.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,&lt;br /&gt;do meu cabelo e até da minha sombra.&lt;br /&gt;Acontece que me canso de ser homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, seria delicioso&lt;br /&gt;assustar um notário com um lírio cortado&lt;br /&gt;ou matar uma freira com um soco na orelha.&lt;br /&gt;Seria belo&lt;br /&gt;ir pelas ruas com uma faca verde&lt;br /&gt;e aos gritos até morrer de frio.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/161078/PabloNeruda.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,&lt;br /&gt;com fúria e esquecimento,&lt;br /&gt;passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,&lt;br /&gt;e pátios onde há roupa pendurada num arame:&lt;br /&gt;cuecas, toalhas e camisas que choram&lt;br /&gt;lentas lágrimas sórdidas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Poema de Pablo Neruda.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116939359028215661?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116939359028215661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116939359028215661&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116939359028215661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116939359028215661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/walking-around.html' title='Walking Around *'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116892101787839081</id><published>2007-01-16T00:23:00.000-03:00</published><updated>2007-01-16T01:16:57.893-03:00</updated><title type='text'>O revelado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vai pela estrada um mendigo de ti mesmo, quebrando galhos e plantando cacos de venenos no asfalto. Vai com o nariz arrebitado, cheirando rosas putrefatas, regadas com gemidos e pontadas de agulhas. Vai o mendigo de ti mesmo, vai. Segue pisando duro em fumaças de ferrugem, atravessando máquinas de fuligem, engolindo a própria voz no furacão. E segue hilariante, pronto a morrer e a combater dragões nos descaminhos que se repetem e se cansam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Continua pela via que esfria na noite do deserto o teu mendigo de temores. Rege orquestras de abutres a rondar carcaças, declamando amor em ira, cuspindo do alto de precipícios. Gargalha o teu mendigo tal qual criança que não sabe que jamais soube voar. Gargalha em borbulhas, agora que o sol assassina e a festa é no princípio do horizonte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Faz a última oração o mendigo de ti mesmo em meio ao pó. É tempo de fechar o calabouço: dobraduras rangem. Range o coração, enquanto os pássaros cantam na eternidade a repousar lá fora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116892101787839081?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116892101787839081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116892101787839081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116892101787839081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116892101787839081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/o-revelado.html' title='O revelado'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116883027501425437</id><published>2007-01-14T23:40:00.000-03:00</published><updated>2007-01-16T00:23:08.190-03:00</updated><title type='text'>Pensamento anacrônico (ou quase isso)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foder&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; vem de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;fotere&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (tônica aberta na primeira sílaba), palavra latina que significa &lt;em&gt;&lt;strong&gt;plantar&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Em resumo: você pode plantar batatas ou fodê-las, pois filologicamente dá na mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116883027501425437?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116883027501425437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116883027501425437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116883027501425437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116883027501425437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/pensamento-anacrnico-ou-quase-isso.html' title='Pensamento anacrônico (ou quase isso)'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116857038369849294</id><published>2007-01-11T23:50:00.000-03:00</published><updated>2007-01-12T00:18:11.096-03:00</updated><title type='text'>O mar que pensei</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/294512/Mosqueiro-Para??so2007"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/400/883677/Mosqueiro-Para%3F%3Fso2007%20011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dia&lt;br /&gt;tudo se desfaz em ventos.&lt;br /&gt;Um dia&lt;br /&gt;tudo se transforma em mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rio&lt;br /&gt;pois é rio e não mar&lt;br /&gt;o mar que pensei logo amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em versos pobres&lt;br /&gt;(de zinco e cobre)&lt;br /&gt;saúdo a tarde a findar&lt;br /&gt;brindo às águas do mar&lt;br /&gt;- mas é rio e não mar -&lt;br /&gt;que vou cá disfarçar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;~~~~~~~~~~~~~~~~~~&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;* Inspirado na fotografia, tirada por Marlon Vilhena na Praia do Paraíso, Mosqueiro, Pará. As águas pertencem ao rio Pará, na Baía do Guajará.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116857038369849294?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116857038369849294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116857038369849294&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116857038369849294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116857038369849294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/o-mar-que-pensei_11.html' title='O mar que pensei'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116778172971317181</id><published>2007-01-02T19:07:00.000-03:00</published><updated>2007-01-02T20:48:49.773-03:00</updated><title type='text'>Análise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Amor é uma piada de mau gosto que cai bem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para uns, redundância, para outros, descoberta, choque. Muitas vezes é nessas pegadas que fazemos as histórias, as nossas, as alheias e as de todos nós. É nessas pegadas a morrer na maré alta do tempo que se declama um sim quando é um não, que se concorda quando se quer evitar, que se revela quando se deseja dizer adeus. É nessas pegadas a serem desenhadas novamente que assinamos as faltas e os excessos, os caprichos, os escândalos, tudo no mesmo molde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E todos teimam em refazer os passos. Porque ninguém lê os avisos ou entende o mote do riso. E todos riem sem entender, ou entendem sem compreender. Até dançam, giram e fazem galanteios, pois assim lhes foi ensinado num quando esquecido lá atrás. Mas o mau gosto cai bem: jamais sai de moda. As bocas ardentes, borboletas no estômago, calafrios na espinha e peitos arfantes que o digam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116778172971317181?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116778172971317181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116778172971317181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116778172971317181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116778172971317181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2007/01/anlise.html' title='Análise'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116758028701467216</id><published>2006-12-31T10:56:00.000-03:00</published><updated>2006-12-31T12:57:34.436-03:00</updated><title type='text'>Ano Novo (de novo)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Renovar é difícil. Muita gente pensa que basta dar sete pulinhos sobre as ondas à beira da praia, tomar caldo de lentilha nos primeiros minutos do ano novo, ficar suspenso apenas sobre o pé direito na entrada de 1º de janeiro etc. etc., para ter a&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/760146/anonovo_vidanova.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 161px" height="180" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/320/825743/anonovo_vidanova.jpg" width="296" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; sensação (quase nítida em alguns casos) de que tudo real&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mente já começa bem para os próximos 365 dias. Bom, eu gosto muito de lentilhas, mas não é nisso que vou depositar todas as minhas esperanças de sucesso, de estabilidade financeira, de crescimento profissional, de realização pessoal. Com todo o respeito aos religiosos, mas não é depositando presentes a Iemanjá, ou a qualquer outra deusa do mar, que todos os meus temores e problemas desaparecerão. As pessoas se esquecem de que os deuses estão por aí para serem adorados, não para serem vistos como um balcão de atendimentos gerais, onde a única coisa a se fazer é esperar sentado (por muito ou pouco tempo, isso dependeria do tamanho e da gravidade da ordem de pedido preenchida pelo cliente) até que lhe entreguem um papel assinado e carimbado pelo diretor do departamento, com a palavra &lt;span style="color:#6633ff;"&gt;&lt;strong&gt;APROVADO!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; em azul fosforescente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Renovar é bem mais complicado. É necessária uma boa dose de vontade e disposição por parte do interessado, ou seja, todos nós. P&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/608535/anonovo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/320/374009/anonovo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;orque todos nós precisamos nos renovar. Sem vontade, nada é feito no mundo; e sem disposição, a vontade não serve para nada. Claro que nem sempre isso é fácil, com tantas tentações espalhadas em cada loja, em cada esquina, em cada bar, em cada anúncio comercial, em cada rosto, em cada frase, em cada gesto. Renovar envolve morte e ressurreição. Como a fênix que sempre volta das cinzas. É preciso que morra algo lá no fundo para voltarmos a enxergar o mundo com outros olhos. Se alguém souber de outra forma de renovação, por favor, avise. E antes que os apressados e seguidores de pés de letras ponham em prática o morrer e o ressuscitar, deixo aqui bem claro que é num sentido metafísico-moral, e não físico. Que depois não venham me acusar de instigamento ao suicídio em massa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma última observação: os votos para o ano novo. Todo mundo sempre deseja ao próximo uma boa saúde, dinheiro no bolso, um bom emprego, um carro novo, uma casa nova, felicidade, ou simplesmente um tudo-de-bom-pra-você-e-sua-família. Eu procuro desejar &lt;strong&gt;bom senso&lt;/strong&gt; às pessoas. É algo que, podem perceber, está faltando há muito tempo em todos os lugares: em casa, no trabalho, na escola, no trânsito, nas decisões políticas, nas decisões particulares. O ser humano, principalmente o urbano, se acostuma rapidamente com tantas situações disparatadas, absurdas, que passa a assimilá-las como se fossem absolutamente naturais. Se houvesse um pouco mais de bom senso no planeta, haveria menos guerras por motivos escusos, menos intolerância religiosa, menos acidentes e atropelamentos nas cidades, menos reclamações por serviços mal prestados, menos corrupção, mais e melhor distribuição de renda, mais desenvolvimento público e privado, mais controle e preservação ambiental, mais educação, mais saúde, mais empregos, mais felicidade, mais harmonia. Em sua&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/338808/anonovo2.png"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/320/447469/anonovo2.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; próxima lista de votos para o ano novo, procure acrescentar bom senso. Para os outros e para si próprio. E procure se renovar sinceramente com este bom senso, tenho certeza de que lhe fará bem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;BOA FESTA DE ANO NOVO! E MUITO BOM SENSO PARA TODOS, SEMPRE!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116758028701467216?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116758028701467216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116758028701467216&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116758028701467216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116758028701467216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/ano-novo-de-novo.html' title='Ano Novo (de novo)'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116716155868691710</id><published>2006-12-26T16:29:00.000-03:00</published><updated>2006-12-26T16:40:11.010-03:00</updated><title type='text'>O Fim do Mundo, ou O Desesperançado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Até o fim do mundo&lt;br /&gt;continuo bebendo minhas misérias&lt;br /&gt;fumando as esperanças de um desesperançado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos bares do fim do mundo&lt;br /&gt;a sujeira é meticulosamente igual às da próxima esquina&lt;br /&gt;tudo é agonia e desprezo de vagabundos e homens de família&lt;br /&gt;e putas e desconsoladas e cachaça e fiapos de alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o fim da realidade do mundo&lt;br /&gt;perde-se identidade moral olhos bocas ouvidos&lt;br /&gt;o que resta é peso morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade vira o copo goela abaixo. Eu peço uma coxinha. Em papel pardo, meticulosamente estragada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116716155868691710?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116716155868691710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116716155868691710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116716155868691710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116716155868691710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/o-fim-do-mundo-ou-o-desesperanado_26.html' title='O Fim do Mundo, ou O Desesperançado'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116716029293750368</id><published>2006-12-26T16:06:00.000-03:00</published><updated>2006-12-26T16:11:32.940-03:00</updated><title type='text'>Daquelas coisas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(Tudo bem, sei que o texto é um pouco velho, de outro blogue inutilizado de minha autoria, mas eu gosto dele. Por isso resolvi postá-lo aqui para matar saudades. E chega de justificativas.)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sempre tem daquela coisa de escorregar e sair por aí flutuando. Sempre tem daquelas manias bestas de tomar sopa em pé, pensar demasiado na vida, tirar o miolo do pão. Por que diabos tirar o miolo do pão? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nunca se vê o mundo como se deve, entre a calma implacável e a urgência inflamável. Nunca se considera as ruas e os bueiros como devem sê-lo, ou mesmo as bancas de jornais e as praças. Ainda há praças. Como as calçadas, esquecidas sob os pés. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas afinal, como se soletra INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE, doutor? Fácil falar, difícil fazer. Ou seria o contrário, ou nenhum dos dois, muito menos três? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A chuva cai molhada, cheia d'água e absurdamente líquida sobre as árvores, telhados, sonhos, barracas de pastel. A Nasdaq e a Bovespa também caíram, as Torres caíram, a segurança mundial caiu, o ânimo desabou. E lá vem a Copa do Mundo de Futebol. De Futebol. Do Mundo. Da Copa, da Cozinha, seja lá de onde for, ei-la. &lt;em&gt;Gutten nacht. Bier, bitte! &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;[O serviço se encontra temporariamente fora do ar. Deixe seu recado na caixa postal, ou então relaxe e desligue você também.] &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116716029293750368?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116716029293750368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116716029293750368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116716029293750368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116716029293750368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/daquelas-coisas.html' title='Daquelas coisas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116715889676327624</id><published>2006-12-26T15:45:00.000-03:00</published><updated>2006-12-26T15:49:44.693-03:00</updated><title type='text'>The End</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hei-a-ho. Porque tudo é festa e tudo está no início, tal qual protótipo de Big Bang desgovernado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ei, vai querer tomar o espaço inteiro do salão?, ela pergunta. Não seeeeeiiiii, mas você vai tomar no UUEEEEPPAAAA!!!, ele sai piruetando, tropeçando, rimando com cajú. Ah, a juventude trans-pirada, ninguém faz igual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A diferença entre evacuar e tomar é puramente vetorial, por mais que doa. Dona Maria se benzeu, o Zeca aplaudiu, a Serafina sorriu discreta e seu Maximiliano me mandou tomar, é óbvio. Lados controversos da mesma história. Segue a humanidade vetando vetores e edificando dogmas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hei-a-ho. Porque na hora fatídica Cuba lança sempre, porém jamais deixa de ser aquele anel de carne, ou talvez a falta de, o fim na latrina de todas as coisas, as ditas, as não ditas e as fedidas. Porque merda também é (da) gente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;This is the end, my only friend, the end...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116715889676327624?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116715889676327624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116715889676327624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116715889676327624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116715889676327624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/end.html' title='The End'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116715821778750142</id><published>2006-12-26T15:35:00.000-03:00</published><updated>2006-12-26T15:36:57.800-03:00</updated><title type='text'>Das certezas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vicissitudes na vida sempre são algo si ne qua non, declamava o filósofo do alto de sua taça de vinho Bordaeux. O outro não mostrava importância àquilo, antes despedaçava o bife ao molho madeira posto sobre o arroz à grega, tomava um gole da água sem gás, espiava um lado e outro do restaurante. Todos ali bem vestidos, mas a comida até que era boa. Você não vai comer?, perguntou com um olhar curioso no prato ainda intocado. O filósofo desceu de seus pensamentos e encarou-o com um misto de perplexidade e ombridade. Fingiu que não era com ele, voltou a cabeça para o pequeno vaso na mão direita, onde aplicava leves giros anti-horários desprendendo um aroma cítrico e suave do conteúdo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O outro arremessou novos nacos de carne goela abaixo, uma fome sincera que assustava o casal sentado ao lado. Quanto a vicissitudes eu não sei, resmungou entre uma garfada e outra, só sei que isso aqui tá muito bom. É muito caro? A pergunta acompanhou uma preocupação folgada no semblante. Não se importe com isso agora, suspirou o filósofo, subitamente cansado do Bordeaux, há coisas mais essenciais. Como as vicissitudes? Como as vicissitudes. Acho que tô começando a entender esse troço de vicissitude, sorriu o outro com a boca cheia, já esparramado sobre o encosto da cadeira, acariciando a barriga. O filósofo exasperou-se, jogou uma nota alta sobre a mesa e retirou-se do salão, a face imersa em cólera. Há certas coisas em que é de bom tom e bom senso não mexer, pois nunca se ajeitam, saiu bufando. O outro ainda tentou chamá-lo de volta, depois preferiu que assim fosse: ainda havia um prato intocado a ser esvaziado. E depois usaria o troco da conta para fazer sua fezinha na mega-sena. Vicissitudes, vicissitudes. Era um apaixonado pelas vicissitudes e não sabia, pensou provando do vinho abandonado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116715821778750142?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116715821778750142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116715821778750142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116715821778750142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116715821778750142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/das-certezas.html' title='Das certezas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116638825786623901</id><published>2006-12-17T17:02:00.000-03:00</published><updated>2006-12-17T17:52:44.206-03:00</updated><title type='text'>A arte de ser sincero</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left; font-family: verdana;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, querida: eu te odeio. É muito simples, basta pensar que dois mais dois são quatro, é bem claro. Porque sou idiota, talvez. Porque eu tenho razão em te odiar, talvez. Porque o ódio não precisa de motivos muito sérios e profundos para mostrar a face. Porque vivo de mau humor. É mais ou menos tudo isso junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, querida: eu te odeio. Há muito tempo que te odeio. Ressentimento? Deixa eu ver: não. Sim, pode me presentear com um tapa, não me importo, é até saudável. Mas é engraçado pois, quando eu vivo calado, tu reclamas porque não digo o que penso ou o que sinto, e quando resolvo me abrir e assumir meu lado sincero, sou tido como monstro insensível e calhorda. O mundo definitivamente não é feito de sinceridades. Então odeio e também te odeio. Aqui está a outra face. Não, não, fique à vontade, pode bater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, não chora. Odeio quando choras. É tudo tão ridículo e entediante, as mesmas frases bestas e cheias de sentimentalismo tradicional. Que papelão. Tome esse lenço, pode assoar o nariz, não seja polida. Nessas horas a coisa mais odiosa é a polidez, querida. Não, pode ficar com ele, leva contigo, eu não vou precisar. Mas perceba que, afora o ódio, tudo continua como antes, é apenas um modo franco de vida que pretendo levar contigo, se quiseres assim. Não, não queres, eu já suspeitava. A verdade é sufocante nessa relação. Estou ouvindo, querida. As minhas coisas? Mas a casa é minha, esqueceste? És tu quem deve sair daqui, se é que realmente queres sair daqui. Eu não disse que precisavas ir embora, não ponha palavras na minha boca. Sim, preferes desse jeito, é melhor para nós dois. Isso és tu quem diz, por mim tanto faz. Não me olha assim, continuo sendo sincero. Afinal, que mal há em ser sincero? Ah, não é necessário ser tão sincero, compreendo. É que as pessoas são treinadas para ser estúpidas e cegas. Minha humilde opinião. Sim, eu também, querida, eu também sou estúpido e cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens certeza de que queres partir? Pode ser amanhã, então, não te apresses. Tudo bem, queres te ver o mais longe possível de mim, e quanto antes melhor. Pois que assim seja. Não te preocupa comigo, tudo vai ficar bem. Sim, pode levar essa mala, eu a usaria para ir à praia nas férias, mas compro outra depois. Pára de chorar, mas que deprimente isso, querida. Tu és tão bonita, tua maquiagem fica muito borrada. Eu sou o culpado, sei. Bom, nessas horas alguém tem de levar a culpa sempre, não é mesmo? Aquele quadro é teu, estes discos também. Pronto, deixa eu ajudar a fechar a mala. Está bem, já vi que não precisas de ajuda, muito bom. Vai pra onde? Não me interessa. Hum-hum. Quer uma carona até algum lugar? Está escurecendo, eu me preocupo contigo. Eu sei o que acabei de dizer, e repito: eu te odeio, sim, te odeio. Mas me preocupo contigo. É difícil de entender e aceitar? É como também acabei de dizer: as pessoas são treinadas para - está certo, calo minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso te telefonar? Não, não posso me esquecer de ti, querida. Pelo menos não de uma hora para outra. Sabes que as coisas não funcionam assim. Está certo, não telefono. Tens certeza da carona? Certo, calo minha boca de novo. Então até amanhã. Até nunca mais? Não sejas precipitada. Não queres lavar o rosto para tirar essa maquiagem borrada? Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Até mais, querida. É pena que tu não consigas aceitar minha sinceridade, mas eu também não posso te obrigar a nada. Toma cuidado. Tens dinheiro na bolsa? Não, querida, o inferno é quente demais para mim, sabes que eu jamais irei para lá. Olha o degrau. Vou sentir tua falta, mas não somos escravos um do outro. Manda notícias. Se quiser conversar melhor daqui a um tempo, estarei sempre te esperando. Só me faz um favor: não bata a porta, ela está com um problema sério na fechadura e - é, bateu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116638825786623901?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116638825786623901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116638825786623901&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116638825786623901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116638825786623901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/12/arte-de-ser-sincero.html' title='A arte de ser sincero'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116451490882747489</id><published>2006-11-26T00:52:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T01:24:00.213-03:00</updated><title type='text'>Ressaca no fim da curva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nessa noite a ressaca é companhia indelicada. Fico pensando no que pensar, enquanto me rasgo e me picoto inteiro. Olho pela janela e só vejo um muro de, ou melhor, não vejo nada. As baratas morrem no canto do corredor, formigas avançam e despedaçam asas, pernas, antenas. Sinto que suo, mas não suo, deveria e não consigo, ou já suei e não percebi, não sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A noite é companhia indelicada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E relembro minha promessa de que nunca mais beberei, e relembro que tudo foi mentira. E sinto que a esperança de alguma coisa, qualquer coisa, dar certo é remota, já vai longe, acenando do último vagão do trem. Minutos sem cadência, as paredes me oprimindo. Quero sair e não consigo, ou já saí e não sei. Nunca sei. E acho que é melhor assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E nem sei por que fiz isso, e busco me esconder de mim, roendo ossos, uma fome indelicada. As palavras e as idéias se quebraram, agora é vegetar, vegetar. As costas doem, meu corpo é mastigado, pisado. Tudo flui, nada fica. E vejo que já morri, ou que morrerei em breve: diferença nenhuma. Nunca mais, nunca mais, repito centenas de vezes. E a cena se repete. Diabos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116451490882747489?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116451490882747489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116451490882747489&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116451490882747489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116451490882747489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/11/ressaca-no-fim-da-curva.html' title='Ressaca no fim da curva'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116425475175933910</id><published>2006-11-23T00:58:00.000-03:00</published><updated>2006-11-23T01:08:42.000-03:00</updated><title type='text'>Definições</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não se pode definir uma pessoa com apenas uma palavra. Parece-me que foi Tomás de Aquino quem afirmou isso. De qualquer maneira, é a mais pura verdade. Tente você definir a si mesmo. Único? Simples? Alegre? Chato?&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2991/3066/1600/apontar2.0.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Agressivo? Triste? Sincero? Impossível (a definição, quero dizer).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2991/3066/1600/apontar2.1.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2991/3066/1600/apontar2.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não se pode sequer definir Deus com uma mera palavra. Nem um animal, uma pedra, uma&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/461731/apontar2.gif"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/320/286715/apontar2.gif" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; planta, um mosaico de cores, nada. Porque tudo é complexo, tudo é composto de mínimas partes interligadas entre si, são diversos e incontáveis fatores que caracterizam um objeto, ser ou idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a faculdade tive aulas com o Prof. Oswaldo Luiz Alves, membro da Academia Brasileira de Ciências, bastante respeitado no meio científico a nível nacional e, quiçá, internacional. A disciplina que cursei com ele foi a respeito de nanotecnologia, um tópico em voga hoje entre os cientistas. Aprendi que a Complexidade de um sistema se dá pela junção de sua Multiplicidade com sua Integralidade, ou seja, C = M x I. Essa fórmula simples (na verdade, apenas utilizada para ilustrar uma idéia, um mero simbolismo) significa que um sistema, seja ele uma bactéria, um homem ou um chip de computador, é tão mais complexo quanto forem suas formas de auto-organização e interconexão entre as mesmas formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguemos aquela bactéria citada acima. No começo da vida, provavelmente ela devia ser unicelular. Passados alguns milhões de anos, evoluiu para uma estrutura mais complexa, multicelular, capaz de produzir proteínas e outros tipos de moléculas que antes eram inviáveis. Por quê? Sua complexidade aumentou, advinda da sua capacidade de modificar sua auto-organização, além de suas partes estarem integralizadas num único conjunto. E, logicamente, um gato é muitíssimo mais complexo do que a tal bactéria; assim como o homem, os peixes, uma sociedade qualquer, um casal de namorados, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo é o cérebro. Como é possível uma massa cinzenta, alojada em nossa caixa craniana, ser responsável pelo pensamento, pelos reflexos, pelo armazenamento de dados na memória, pelas sensações? Como é possível que minúsculas células, devido a pequenos pulsos elétricos realizados entre íons, coordenem todas as nossas ações, até mesmo a de abrir os olhos quando acordamos? O ser humano, com sua admirável inteligência, conhece tanto a si próprio quanto o fundo do mar: quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu falava de definições. Se foi mesmo Tomás de Aquino quem afirmou a primeira frase deste texto, então ele estava certo. E isso aconteceu séculos e séculos atrás. Ele estava certo, ainda que não pudesse conceber algo tão fantástico quanto a nanotecnologia naquele tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, continuamos a ser ignorantes conosco e com os outros, porque teimamos em querer definir as coisas sob um único ponto de vista, teimamos em errar nos nossos pré-conceitos, nas acusações de má conduta, em opiniões mal baseadas, ou pior, baseadas em terceiras opiniões. Teimamos em querer definir uma pessoa pelos seus atos, sejam eles bons ou maus. Teimamos até em querer definir qualquer coisa como boa ou má, certa ou errada, feia ou bela, veja só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão é uma só, e bem clara: o homem já aprendeu muito, mas ainda não aprendeu a se enxergar. O homem, com sua admirável inteligência, não passa de uma criança egoísta e egocêntrica; que fica exibindo suas roupas novas, mas não sabe se limpar sozinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116425475175933910?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116425475175933910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116425475175933910&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116425475175933910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116425475175933910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/11/definies.html' title='Definições'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-116425198091205875</id><published>2006-11-22T23:41:00.000-03:00</published><updated>2006-11-23T01:11:25.026-03:00</updated><title type='text'>Uma qualquer coisa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/1600/667069/albert_camus.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2991/3066/320/348213/albert_camus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;"... se há qualquer coisa que se pode desejar sempre e obter algumas vezes, essa qualquer coisa é a ternura humana." (&lt;/em&gt;Albert Camus,&lt;em&gt; &lt;strong&gt;A Peste&lt;/strong&gt;,&lt;/em&gt; Record/Altaya, p. 262)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Reli esse livro depois de 7 ou 8 anos, e esta foi uma das frases que me marcaram profundamente. Como da primeira vez. Poderia até mesmo afirmar que, de certo modo, é uma frase (de algumas) que resume bem a idéia do romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A obra foi publicada em 1947 e, como toda grande e admirável obra, transmite um quê de atualidade sempre. Não vou me estender na explicação e descrição do enredo, em respeito a algum eventual (e raro) leitor destes textos que aqui coloco e que não conhece o livro. Se ficar curioso, procure nas livrarias ou num sebo, é uma obra bem conhecida de Camus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Continuando: ela transmite uma atualidade inerente à situação em que vivemos. Basta ler as notícias mundo afora, ou assistir aos telejornais para entender o que estou escrevendo. As grandes notícias são, invariavelmente, as de pesar, as de violência, as de guerra, as de injustiças; em suma, as piores. E no entanto, mesmo diante (e entre) tantas situações adversas, as pessoas ainda se perguntam se a humanidade ainda tem jeito. Tal pergunta pode merecer a citação acima como resposta. É como Camus escreveu, "desejar sempre e obter algumas vezes". Não se trata de querer que a vida se renove de um dia para outro da melhor forma possível. Todos sabem que o ser humano é, ao mesmo tempo, tão engenhoso e benevolente quanto sórdido e desprezível. A ironia está no fato de que somos nós mesmos que nos batizamos assim. E sabemos disso. E a vida segue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-116425198091205875?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/116425198091205875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=116425198091205875&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116425198091205875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/116425198091205875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/11/uma-qualquer-coisa.html' title='Uma qualquer coisa'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115656908729841465</id><published>2006-08-26T01:56:00.000-03:00</published><updated>2006-08-26T02:11:27.306-03:00</updated><title type='text'>Porrada de Cantrell</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quero saber mais do que posso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;porradas na orelha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;madrugada, nicotina e pensamentos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;mãos cerradas gritando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;luxúria pulsando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;sem saber o caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que caminho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quero escrever mais do que posso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;porradas ressonantes no martelo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;guitarra latejando sob os dedos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cordas distendidas na loucura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;desespero por vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;distorções e esbarrões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;cabeças rolando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quero cantar mais do que posso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;nem sou cantor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;só desafino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- ligue o FODA-SE e siga em frente -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ditado na minha porta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;rouquidão bem-vinda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e nem sei onde estou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;* Devaneio escrito ao som de &lt;/em&gt;Dickeye&lt;em&gt; (Jerry Cantrell). Porrada boa para embalar a noite com alguns cigarros.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115656908729841465?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115656908729841465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115656908729841465&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115656908729841465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115656908729841465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/08/porrada-de-cantrell.html' title='Porrada de Cantrell'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115602756711544502</id><published>2006-08-19T19:04:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T19:48:47.363-03:00</updated><title type='text'>Urbano em Lá menor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela sentou no meio-fio e pôs-se a tocar sua gaita retirada do bolso. Os transeuntes passavam e olhavam e passavam e ela nem aí, só sabia da gaita. Se não olhava para o asfalto, baixava as pálpebras e ficava consigo e com a música. As buzinas que tocassem, os escapamentos dos carros que vomitassem e sufocassem, as gentes que gritassem e xingassem, para ela era apenas soprar e inspirar e fazer as notas saírem cada uma a seu tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Só cadência. Só compasso. Um pouco de melancolia e cores gastas: sossego na turbulência. Só sabia da música.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A vida ia na frente atropelando, rasgando, acelerando, reclamando. Ela ficava ali, não queria ir embora, cabelos jogados no rosto, pulmão fazendo seu serviço. Barulho em todos os metros quadrados, a modernidade é feita de decibéis. Esquecia este detalhe, dava tudo de si a si própria naquele instante. Nada de hambúrgueres, nem cartões de crédito, grifes, gafes, nem boas maneiras, nem curriculum, nem. Sopro e inspiração, receita simples, meio tentativa, meio erro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A música ganhava vida, levantava-se do meio-fio e dava grandes voltas. Mas, como em todos os dias, era da conta de ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115602756711544502?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115602756711544502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115602756711544502&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115602756711544502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115602756711544502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/08/urbano-em-l-menor.html' title='Urbano em Lá menor'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115569773579965192</id><published>2006-08-16T00:06:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T00:08:55.810-03:00</updated><title type='text'>FÔLEGO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ei, por favor! A que horas passa o trem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas por aqui não passa trem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então me vê um guaraná. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* * * * * &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Aumenta o volume da TV, vai começar a partida! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pára de gritar! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O quê? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Pára de... Tá bom, eu aumento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* * * * * &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Quanto vale dois mais dois? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Depende do ponto de vista... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Obrigada. Próximo candidato! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* * * * * &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E como você explica a utilização de um operador hamiltoniano numa função de onda? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Função de onde? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Esquece. Vai comprar alface. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* * * * * &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- AAAAAAAAHHHHHHH! AAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRGGGGGGGGHHHHHHHH! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que houve? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Já passou. Quer ir ao cinema? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não, tenho de ir ao hospital ter um filho agora. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas seu filho já é formado e tem uma família. Você já é avó! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então me vê um guaraná, saco!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115569773579965192?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115569773579965192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115569773579965192&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115569773579965192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115569773579965192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/08/flego.html' title='FÔLEGO'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115497128501937791</id><published>2006-08-07T12:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-07T14:23:00.100-03:00</updated><title type='text'>Serpente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A oitava lata de cerveja que ele levava à boca, sentado à porta da casa, fumando e fumando. Gritava impropérios, fazia conexões absurdas de datas e fatos. E a culpa de todas as desgraças do mundo era da mãe. Sempre a mãe. Porque se sua mãe não fosse do jeito que é, porque se sua mãe não fosse assim, porque se sua mãe não fosse assado, meu filho, porque se sua mãe não fosse. Aquela mulher pequena que, de cabeça baixa à mesa na sala de jantar, deixava que ele vomitasse suas ofensas lá fora, para qualquer um que tivesse a intenção ou paciência de escutá-las. Duas horas da manhã. Ela também já não sabia o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho não suportava mais. Queria explodir, fazer sair a serpente das entranhas, queria estar longe dali, queria muitas coisas, outro mundo, outra vida. O filho se controlava, mãos se retorcendo uma na outra. Poderia quebrar a cara do pai, poderia fazê-lo perder alguns dentes daquela boca maledicente. Podia matá-lo, sentia isso. Não o fazia por causa da mãe, a mãe pequena que segurava suas lágrimas escondidas para não desabar. Tantos anos aguentando aquilo. Dizia que não era nem pretendia ser mártir. Então por que você ainda fica ao lado dele, mãe, por que você ainda dorme ao lado dessa criatura, por que você deixa ele fazer isso, mãe? Por que eu ainda gosto dele, filho. Tinha pena dela. Eu não fico mais aqui nessa casa, amanhã você vai embora comigo. Não é assim, filho, se acalma, você tá de cabeça quente. Eu não tenho vocação pra bom samaritano, esse palhaço aí na frente esbravejando não é meu pai, eu não tenho pai, eu não tenho pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero morrer, gritava o homem, e fumava, e bebia outro gole, eu quero morrer, amanhã vou pedir a conta do emprego e vou sumir, porque tua mãe me envenena todo dia, tua mãe é uma cobra, eu gostava da tua mãe, ainda gosto dela, mas a tua mãe parece que tem prazer em acabar comigo, eu sei que ela fica jogando você contra mim, vive dizendo que eu não posso beber, olha o diabetes, cuidado com o diabetes, e agora eu descobri que tenho câncer na próstata também, não consigo mais mijar direito, então que eu suma de uma vez, eu quero morrer, e eu bebo sim, que ela vá à merda, eu quero morrer. Ele quer morrer, mãe, então deixa ele morrer, assim ninguém precisa mais ser ofendido, humilhado, magoado, envergonhado por esse pudim de álcool. Não, meu filho, não fale assim, ele é seu pai, ele tá falando coisas sem sentido, nem ele mesmo vai lembrar depois. É o pai que ninguém merece ter, e se ele continuar com isso, eu vou chamar a polícia. Não faça isso, você tá nervoso, deixa ele falando sozinho que ele vai cansar e vai parar com isso. Pois que ele morra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era isso que queria dizer, sabia que não era, mas porra, por que meu pai tem que ser desse jeito?, por que eu tenho de invejar os pais dos meus amigos?, por que meu pai tem que dar escândalo toda semana?, por que meu pai não pode me dar um motivo de orgulho? Duas e meia da manhã. A mãe ainda aparentava tranquilidade, mas o filho sabia que aquilo era máscara, só podia ser, ninguém pode ficar impassível numa situação como essa. O ser ali em frente da casa, dando o seu espetáculo de horrores, era o marido daquela pequena mulher, que agora, a seus olhos, parecia tão frágil. E o monstro vomitava, a besta rugia e bebia e fumava, os insultos cada vez mais altos. A serpente querendo sair das entranhas, o filho controlando-a, dentes cerrados, orelhas em brasa, esperando. Não sabia o quê, apenas esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai entra novamente na sala, grita, gesticula, aponta dedos, ameaça, provoca e também espera, espera uma reação do filho que permanece calado, que não tem coragem de olhar nos seus olhos, que não se mexe, que morde os lábios, que olha pra mãe e volta a olhar para o chão. O pai quer que o filho participe, que a esposa saia daquela cadeira, que ambos dêem seus próprios passos em direção ao fundo do poço, que a família inteira se afogue na lama. Volve os olhos para a mãe, pedindo ajuda, a mãe o encara com um ar de tudo bem, vai passar, não caia no papo dele. É difícil, mãe, não sei se sou forte o bastante, pensa o filho, procurando não encarar o pai, eu queria que tudo fosse diferente, eu não queria ter a imagem do meu pai na minha mente com um copo de bebida nas mãos, a minha primeira memória dele é vê-lo dobrando a esquina, chegando sem equilíbrio em casa, despejando o conteúdo do fígado na pia, chorando feito um imbecil, e eu só tinha cinco anos, cinco anos, e ele nunca pediu perdão a nenhum de nós, esse filho da puta, com todo o respeito à minha avó já falecida, esse filho da puta nunca pediu perdão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O pai novamente sai. Queria dizer-lhe aquilo tudo. Não sabia como, a mágoa dobrava sua língua, a serpente se alvoroçava. Poderia matá-lo, francamente poderia matá-lo. Tudo estava errado. Não sabia como dizer, ele acharia que era a mãe de novo fazendo minha cabeça, como se eu próprio não testemunhasse tamanha palhaçada, ele acha que sempre tá certo, que todo mundo merece ouvir aqueles absurdos, como se fôssemos todos nós os causadores do seu câncer, os culpados do seu diabetes, dele ser tão covarde. Não, não era nada disso que queria dizer. Vamos dormir, meu filho, chamou a mãe, deixa ele cansar até dormir, é sempre assim, ele cansa até dormir. Foram para o quarto do filho, a mãe não dormiria sozinha com aquele diabo. O homem gritava tão alto que não adiantava fechar a porta. Eu não tenho pai, mãe, eu não tenho pai. Não era aquilo que queria dizer, a pequena mulher também sabia disso. Mas as lágrimas já haviam secado por dentro. E o sono não vinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115497128501937791?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115497128501937791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115497128501937791&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115497128501937791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115497128501937791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/08/serpente.html' title='Serpente'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115438828516060245</id><published>2006-07-31T20:22:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T20:24:45.176-03:00</updated><title type='text'>De tudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Sob o teto de uma vida encontra-se de tudo: estilhaços, papéis jogados fora, entulhos, vestidos, escovas, tubos de pastas de dente enrolados e espremidos pela metade, cadernos com caligrafias vacilantes, equações de fórmulas antigas e outras descabidas, pneus furados, páginas despregadas de obras esquecidas, isqueiros varridos, camisas suadas, mofo se alastrando, fotografias sorridentes e falsas, mochilas descosturadas, cascas de banana ali, contratos acabados e outros rescindidos, tanta coisa, lenços assoados, discos arranhados e partidos, caixas de sapatos, sapatos, dicionários, manuais de instrução, pilhas gastas acolá, documentos, chaveiros, manchas de café, manchas de catchup, de mostarda, de molho inglês e à bolonhesa, prataria enegrecida, disparates, bermudas, coleções de selo, barbeadores, copos descartáveis e descartados, batons vulgares, bitucas, pedras brancas no outro canto, pedras negras por cima, yin, yang, filmes velhos e clichês, coleiras, gaiolas, aquários, partituras, tablaturas, muita, muita bugiganga, quadros, esculturas desfeitas, cadeiras, sofás, canudos, tíquetes de estacionamento, desculpas, velas, modelos, agendas, faturas pagas e não pagas, revistas de economia, revistas de mulher pelada, revistas científicas, revistas de nu masculino, que diferença, hein, relógios com ponteiros, calcinhas, relógios sem ponteiros, folhetos de espetáculos, barbantes, chapéus, poeira, cuidado com o nariz, óculos sem lentes, bonés, presilhas perdidas, anéis idem, brincos idem, cordões idem, sacolas, sacos plásticos, vasos trincados, escadas, mesas tortas, válvulas queimadas, misérias, cabides, espelhos, poucos espelhos, diários talvez, antenas, cuecas, panelas, alicates, talheres, chaves de fenda, tábuas de carne, chaves inglesas, saleiro, parafusos, conchas, buchas, cutelo, porcas, abridores de latas, pregos, abridores de garrafas, martelo, um é o bastante, pôsteres, medalhas, camisinhas de todos os tipos, chinelos, cintos, lâmpadas incandescentes, fluorescentes e as que não mais funcionam, fusíveis, bolsas, carteiras, piadas, cabos, televisores, aparelhos de som, fogão, geladeira, microondas, ou não, pentes, garrafa térmica, uma é o bastante, tesouras, pinças, telefone, jornais, pastas, campainha, ou não, inseticidas, raticidas, água sanitária, desinfetantes, sabões, sabonetes, amaciantes, veja só a máquina de lavar, ou não, e o tanque de roupas, as calças, baldes, bacias, lixeiras, como eu disse, muita, muita coisa, e outras mais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;E uma vassoura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;E um espanador.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;E uma flanela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Não, não tem pá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115438828516060245?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115438828516060245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115438828516060245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115438828516060245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115438828516060245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/07/de-tudo.html' title='De tudo'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31861169.post-115420767883588498</id><published>2006-07-29T18:08:00.000-03:00</published><updated>2006-07-29T19:04:35.773-03:00</updated><title type='text'>Pragas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Pragas são, tecnicamente, um provável despropósito que não reflete as boas maneiras que nossos pais tentaram, com tanto esforço e sem sucesso, transmitir aos filhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Você e sua família vão pro quinto dos infernos."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Mas o que eu fiz?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Ainda pergunta o que fez, o maldito."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Deixa minha família fora disso. A vó Lena, não."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Tá, sua vó é legal, mas seu irmão não vale um cuspe."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Pragas podem ser essenciais no estudo das relações humanas em vários estágios, como já dizia um sociólogo de sexta categoria. Ou talvez ele quisesse afirmar que as pragas configuram uma espécie de fuga pela tangente, ou pela culatra, depende de qual porta está mais próxima do campo de visão do interessado. Uma fuga, escondida na psiquê, das conseqüências potencialmente trágicas sobre a inevitabilidade do caos iminente entre dois lados de uma discussão. Ou algo assim. Mas aí já seriam palavras de um médico de cabeça. Que seja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Você vai morrer seco."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Vamos ver quem morre primeiro, então. Vem cá."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Larga isso."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Maldições também são cofundidas - freqüentemente, é verdade - com pragas. Mas maldições hoje em dia são já consideradas meio insossas, sem tempero, que se esfumaçam rapidamente no imaginário coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Ai, meu deus, você quebrou o espelho. Sabe o que significa?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Significa que, de acordo com a Primeira Lei de Newton, este espelho, que tendia a permanecer em repouso na parede, por algum motivo estúpido e simples ocasionado por minha pessoa, motivo este aliado à ação da força gravitacional, seguiu a direção do seu lugar natural, que é o chão. Não, isso é de Aristóteles. De qualquer forma, significa que você vai ter de me emprestar uma grana pra eu comprar outro no mercadinho."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Palavras doces, proferidas durante um afã, podem ser interpretadas erroneamente como uma imensa praga, das mais maléficas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Vocé é só minha, só minha. Ficaremos então juntos, pra sempre juntos. Eu contando as suas rugas, você contando as minhas, juntos na velhice. Vendo o pôr-do-sol de nossos dias de mãos dadas, ou abraçados, cheios de amor e..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Espera um pouco. Pelo que me consta, nós acabamos de nos conhecer, nossa primeira transa terminou há poucos minutos, e nem foi tão boa assim."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Isso se resolve com o passar do tempo. Ei, aonde você vai?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Adeus. Você tem meu telefone?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Não."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Melhor assim."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Em todo caso, pragas são inegavelmente necessárias ao convívio social, pois mostram o que ainda falta para o idealismo da humanidade tal qual conjunto orgânico e saudável, o quanto ainda resta de sordidez nas pessoas. Claro, isso é fato inerente à condição evolutiva do sapiens, um fato que não será mudado da noite para o dia, nem em milhões de anos, embora sejam estes muitos. São fundamentais, por outro lado, como matéria para nossa auto-análise, para nossa liberdade de expressão, nossa individualidade, espiritualidade, nossa estrutura enquanto seres pensantes. São como o ar para os pulmões, o potássio para as sinapses, o cloroplasto para a fotossíntese. Um passo a ser firmemente dado nos infinitos trâmites da comunicação. Ou algo assim. Mas é possível que não passe de um exagero ou uma bobagem qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Você vai ficar sozinho nessa casa, mofando com suas idéias, até o fim dos seus dias."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Tudo bem, mas eu fico com os livros e a cafeteira."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"A cafeteira, não."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;"Morra."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31861169-115420767883588498?l=conversasevicios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasevicios.blogspot.com/feeds/115420767883588498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31861169&amp;postID=115420767883588498&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115420767883588498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31861169/posts/default/115420767883588498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasevicios.blogspot.com/2006/07/pragas.html' title='Pragas'/><author><name>Marlon Vilhena</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_-2t6WDDgt3w/TNR85pDxwgI/AAAAAAAAAH8/JJ2C2s77Xdw/S220/Img2009_1005_173552.bmp'/></author><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
